Princípios básicos
Este trabalho é fruto de estudos e observações ao longo do tempo que, pensamos, poderá ajudar os que desejam empreender na nossa cidade. O objetivo primordial é somar. Optamos por tópicos que seguem abaixo:
. Da fundadora da Caramuru consultoria ouvimos que “Pra dar certo, temos que fazer tudo certinho [desde o início]”. Nas minhas obras, eu sempre chamava a atenção dos operários que o que estávamos fazendo em estágios posteriores ia dando certo pelo que tínhamos feito no início. Pelo exposto, tive o prazer de ouvir a dona da minha imobiliária declarar (ela não sabia da minha presença no escritório) que “O prédio de Nery não me dá problema”;
. Uma das minhas observações é que quando o gestor explica uma ordem, o porquê e para quê a tarefa tem que ser executada, o resultado é melhor, isto é, o grau de perfeição aumenta;
. Da mesma forma, a percepção que o grau de perícia e entendimento do trabalhador sempre correspondia ao seu grau de nível escolar. Quanto maior o nível escolar, maior a eficiência;
. Tratar bem os subordinados, valorizar as suas opiniões, mesmo “trocar-se com eles”, aumenta a produtividade. Um autor chama a atenção para a valorização de quem “está na ponta” nas empresas japonesas. Manter sempre os ouvidos abertos. Um bom conselho, uma experiência bem-sucedida, uma solução adequada poderá chegar ao ouvido do executor;
. Fundamental seguir com disciplina e manter métodos. Lee Iacocca, ex-presidente da Ford, declarou que ele raramente perdia um fim de semana com a família. Para ele, tudo era questão de metodologia e saber delegar. Importante que a Ford, no auge do sucesso, tinha quatrocentos mil empregados em todo o mundo;
. Importante saber delegar e, segundo o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, “tem que cobrar”;
. Cultivar a cultura do economizar. Do evangelho, “para que nada se perca”. Nas minhas obras, todo cascalho era peneirado e aproveitado, salvagaurdadas as conveniências. Importante ter a noção de custo. De um taxista da zona nobre de Salvador ouvi que “O rico tem noção de custo. Ele não ostenta”;
. Aproximar-se de quem está à sua frente, dos mais experientes. “Dize-me com quem andas que eu te direi quem és.” Do mesmo taxista, “O rico gosta de viajar [em busca de experiência e avanços]”;
. Nem sempre é conveniente seguir a moda. Quando veio a moda das gravatas de nó grosso, Lee Iacocca gaurdou todas as suas gravatas de nó fino. De volta a moda do nó fino, elas estavam lá;
. Fundamental e basilar a máxima do então secretário da Fazenda do Governo da Bahia, Bóris Tabacof, principalmente para os iniciantes: “Quem gasta tudo o que ganha nunca vai pra frente”;
. Do velho Francisco Nery Sênior: “O barato geralmente sai caro”. Há quarenta e poucos anos, comprei um descansador de pratos inoxidável ainda presente na minha casa. A minha mãe comprou um de plástico que teve que ser reposto cerca de dez anos depois por outro de plástico. Veio, então, um de madeira para, finalmente, ela comprar um inoxidável. Em suma, ela comprou quatro descansadores, três de qualidade inferior, enquanto eu comprei um de qualidade que uso até hoje;
. Prestar bem atenção em uma reunião de negócios. Lee Iacocca observou que, em uma reunião, nem sempre os que muito falam são os que detêm o poder em uma empresa. Os ladinos, mansos e calados podem ser os verdadeiros detentores do mando na empresa;
. Carece nunca tentar mediar uma disputa entre dois amigos [seus]. O então vice-presidente americano Richard Nixon declarou que a tendência é você perder a confiança dos dois. Os disputantes, no caso, eram o presidente Dwight Eisenhower, seu mentor, e um outro político seu amigo;
. Que fazer quando alguém lhe pede dinheiro emprestado (que geralmente não volta)? De Zezito da Cibel quando a sua empresa era a décima maior da Bahia: “Meu irmão, até R$2.000 [talvez R$5.000 hoje] eu empresto”;
. Questão de opção. O general George Patton era intrépido e resoluto. Metia seus comandados em ponta de lança e geralmente vencia. Acusado de irresponsável, talvez cruel com seus comandados, ele argumentava que ele tinha muito menos baixas que num ataque em etapas convencionais;
. Um empreendedor tem que ouvir exaustivamente. Ler tudo sobre o seu mister. Procurar prever tendências. Não ser um Maria vai com as outras;
. Nunca desistir no primeiro fracasso. Pesquisas mostram que os empresários americanos geralmente tornam-se bem-sucedidos após a segunda ou terceira tentativa;
. Nos cinco primeiros anos de um empreendimento, a ênfase deve ser concentrada no investimento. O empreendedor japonês começa a pensar em desfrutar após o empreendimento consolidado;
. Equipe e assessoria. Sempre ter em mente o final da fábula de La Fontaine (O corvo e a Raposa): “Todo bajulador vive à custa daquele que o escuta”;
. Em um país de instituições não seguras e regras vacilantes; juros altos, cuidado com o endividamento. O empresário Antônio Ermírio de Morais tinha o seu próprio “banco”;
. De volta às obras, procurar certificar-se dos procedimentos e das funções das peças e materiais. O engenheiro João Soares do SPOM se surpreendeu quando o velho Odebrecht simplesmente ordenou que ele serrasse os dois ferros inferiores de uma armação. Na peça, eles não tinham função alguma. Já o mestre Amaro Francisco da Silva, que também trabalhou com o velho Odebrecht, declarou que nós aqui em Paulo Afonso fazíamos um estragadalho de ferro nas nossas vigas e lajes;
. Para finalizar, carece não deixar de sonhar com os empreendimentos e o sucesso. A vida, ela acaba quando acabam os sonhos;
. O empreendedor deve, acima de tudo, tornar-se um descobridor de talentos. O fazendeiro Ovídio Aranha, meu virtual padrinho, perguntou se eu seria capaz de levar a turma em uma caçamba da fazenda até a praia, eu lá no início dos meu vinte anos. Respondi que se soubesse o local dos pedais e a indicação das marchas na alavanca, seria capaz de cumprir a tarefa (cerca de cinco a sete quilômetros da porteira da fazenda). Fora dois ou três solavancos, fomos e voltamos na mais perfeita segurança. Escapamos e evidente que não recomendamos nada parecido. Pouco tempo depois ele me fez uma proposta de trabalho na fazenda como de pai para filho e declarou que o episódio da caçamba tinha sido um teste. Foi quando eu perdi a chance de me tornar um fazendeiro porque tinha passado no concurso para a Chesf;
. Na vida de cada um, nem tudo serão flores. No caminho, cardos e pedregulhos (Lauro Paranhos Pedreira de Freitas). Seguro de si, manter-se firme, ainda que sozinho. Noé, Galileu, Wiston Churchill ficaram sozinhos. Eles estavam certos.
Francisco Nery Júnior

