29 de setembro de 2026 19:12

Quando a luz acende um alerta para o coração

Redação PA Notícias

Dormir com televisão ligada, luminária ou outra fonte de luz no quarto, rotineiramente, pode estar associado a riscos de infarto e outras doenças cardiovasculares, alerta cardiologista do HFBCCC

Um estudo publicado no início do mês pela revista científica European Heart Journal relaciona exposição à luz durante a noite a alterações no coração e maior risco de doenças cardiovasculares. São pessoas que dormem com a televisão ligada, deixam o abajur aceso, atravessam a noite sob a claridade da rua que entra pela janela ou simplesmente não conseguem dormir no escuro.

Entre 11.071 participantes submetidos a exames de ressonância magnética cardíaca, aqueles mais expostos à luz noturna apresentaram, entre outras alterações, maior massa do ventrículo esquerdo e sinais de redução da função cardíaca. Em uma análise com 73.286 pessoas, a exposição mais elevada à luz durante a noite esteve associada, no acompanhamento de 8 a 10 anos, a risco 29% maior de insuficiência cardíaca, 24% maior de infarto, 15% maior de fibrilação atrial e 33% maior de AVC. (European Heart Journal, 2026).

Na Bahia, apenas em 2025, doenças do aparelho circulatório que afetam o coração – hipertensão, AVC, infarto, trombose, insuficiência cardíaca, dentre outras – provocaram 22,6 mil mortes, de acordo com a dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), sendo a principal causa de morte entre as quatro grandes categorias de doenças crônicas não transmissíveis.

No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, Dr. Maurício Barreto, cardiologista do Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), explica que o coração não “desliga” quando a pessoa fecha os olhos e faz um alerta sobre a interpretação dos resultados do estudo.

“Não podemos interpretar esse estudo como se dormir uma noite com a luz acesa fosse provocar um infarto. O que a ciência está mostrando é uma associação entre a exposição habitual à luz durante a noite e um maior risco de problemas cardiovasculares. Nosso organismo possui um relógio biológico, chamado ritmo circadiano, que é regulado, entre outros fatores, pelo ciclo natural entre claro e escuro. Quando esse ciclo é repetidamente perturbado, podem ocorrer alterações no sono e em mecanismos biológicos relacionados à saúde cardiovascular”, explica.

No estudo, parte da associação observada entre a exposição à luz durante a noite e o risco cardiovascular foi estatisticamente mediada por uma menor duração do sono. Isso significa que dormir menos pode ajudar a explicar parte dessa relação, mas não permite afirmar, por si só, que a luz noturna seja a causa direta das doenças cardiovasculares.

Além de reduzir a exposição à luminosidade durante a noite, outros cuidados devem fazer parte da rotina de prevenção cardiovascular. “Sempre que possível, mantenha o quarto escuro, reduza as fontes de luz durante a noite e procure preservar um sono adequado e regular. Mas é importante lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares depende de um conjunto de hábitos e do controle dos fatores de risco. Praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação saudável, não fumar e acompanhar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia são medidas fundamentais para proteger o coração”, recomenda o cardiologista do HFBCCC.

Darana RP

Da Redação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *