De caminho para o computador, passo por Lady, minha cadela. Como sempre um afago e lhe declaro: o que me resta agora é o seu amor.
Eu e a mulher com o amor de Lady, para onde iremos nós? Quando vemos um juiz da Suprema Corte brasileira a orientar um contraventor dono de banco sobre matérias nebulosas, para onde iremos nós? Nós e o povão do Brasil. Quando o vemos, mais assustador ainda, blindado por todos os lados, a quem nos voltaremos nós? A quem apelar?
E eles riem aos cântaros. Ele e os pares riem e se divertem – da cara de nós outros financiadores da farra. Para quem iremos nós? O socorro de quem esperávamos uma ajuda ou mesmo um simples bálsamo, não vem. Eles estão acintosamente rindo das nossas caras. Nós não somos trouxas. É que nós resistimos a desistir do Brasil.
Para quem iremos nós? À resposta à pergunta de Jesus (vocês também vão me abandonar?), os doze dispararam: “Só tu tens palavras de vida eterna”. No Brasil, o que temos é um esbulho atrás do outro. Escândalos e decepções.
No Supremo Tribunal Federal, na turma um André Mendonça. Mas ele é só uma andorinha acuada pelos gaviões da vida. Pobre do André. Nós que escrevemos sabemos das perseguições e das arapucas que lhe armam. Odeiam-no. Procuram, cinicamente procuram, achincalhá-lo. Nós já passamos por isso e sabemos que do alto das montanhas virá o socorro. Só do alto dos montes virá. Na hora certa, virá.
Por Francisco Nery Júnior

