24 de setembro de 2026 19:26

Operação mira tráfico de drogas de luxo que movimentou R$ 9,6 milhões e atendia médicos, empresários e advogados na Bahia

Redação PA Notícias

Uma estrutura de tráfico de drogas voltada para consumidores de alto poder aquisitivo movimentou mais de R$ 9,6 milhões e foi alvo da Operação Iceberg, deflagrada nesta quinta-feira (24) pela Polícia Civil da Bahia.

O grupo usava redes sociais para negociar entorpecentes com médicos, empresários, advogados e outros profissionais, enquanto integrantes ostentavam veículos de luxo e viviam em imóveis de alto padrão.

A operação cumpre mandados judiciais em Salvador, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, na Bahia, além de Aracaju, em Sergipe.

Drogas eram vendidas pelas redes sociais

Segundo a investigação, o Instagram era o principal canal usado para comercializar os entorpecentes. Os clientes faziam os pedidos por mensagens privadas e os pagamentos eram realizados principalmente por PIX.

As entregas seguiam um modelo semelhante ao de um serviço convencional. As drogas eram colocadas em embalagens discretas, sem identificação do conteúdo, e entregues em locais previamente combinados.

O grupo tinha como público-alvo consumidores de alto poder aquisitivo, que buscavam drogas apresentadas como produtos diferenciados. Os entorpecentes recebiam nomes comerciais próprios e eram vendidos por valores superiores aos praticados no mercado ilícito convencional.

Integrantes ostentavam veículos de luxo

A investigação apontou ainda que o perfil dos envolvidos fugia da imagem tradicionalmente associada ao tráfico de drogas.

Os investigados se apresentavam como empresários, moravam em imóveis de alto padrão e circulavam em veículos de luxo.

Entre as drogas identificadas estavam ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. Segundo a investigação, este último estava relacionado a variedades de cannabis importadas.

Fornecedor enviava drogas de São Paulo

Parte do abastecimento era feita por um fornecedor localizado em São Paulo, responsável pelo envio de grandes quantidades de drogas para distribuição posterior na Bahia e em Sergipe.

Os investigadores também identificaram informações sobre drogas importadas do Paraguai. Segundo a apuração, os entorpecentes eram transportados de forma camuflada em produtos de beleza.

Investigação encontrou mais de 16 mil transações

A análise financeira identificou movimentação superior a R$ 9,6 milhões em mais de 16,6 mil transações bancárias relacionadas aos investigados e a terceiros envolvidos na circulação dos recursos.

Com base nos elementos reunidos, a Justiça determinou o bloqueio de 20 contas bancárias, sendo 15 de pessoas físicas e cinco de pessoas jurídicas. Também foram determinadas medidas para tornar indisponíveis veículos e outros ativos.

Operação começou a partir de outra investigação

A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, também conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A investigação anterior era voltada contra uma organização criminosa envolvida em crimes violentos. Durante a apuração, policiais encontraram informações em um perfil de rede social que levaram a uma nova linha investigativa.

A análise dos dados revelou indícios de comercialização de drogas e deu origem à investigação que resultou na Operação Iceberg.

A ação é coordenada pelo DHPP, com participação do Departamento de Inteligência Policial (DIP), por meio do Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), Departamento de Polícia do Interior (DEPIN), Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE) e Departamento de Polícia Técnica (DPT).

por Redação Bnews

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