Téo, o já agora nosso velho conhecido, chega aos seus vinte anos. Vinte! Não completou. Chegou. Adelina, a mãe, providenciou bolo e tudo. Fui um dos convidados. A minha amizade com Téo não foi feita em porta de quitanda. Foi nos arredores, nada menos, da Catedral de Paulo Afonso. Adelina com ele a passear, ficamos amigos, eu, melhor dizendo eu e um monte de pessoas de sensibilidade meio fora de moda, daquelas que afloram no leito final da morte.
Foi uma festa de aniversário – com bolo e tudo. Adelina é boa de bolo. Todos, um bom grupo de familiares e amigos de Téo, se refestelaram. Fizeram-nos cantar parabéns – o que fizemos com garbo e seriedade agradecendo ao Deus de todas as coisas a amizade de Téo; a vida canina de Téo.
Téo não mais enxerga, mas ouve e nos deixa crer reconhecer a nossa voz. Amigos do peito nunca são esquecidos. Final dos parabéns, um latido do fundo da goela, do âmago melhor dizendo, o único da noite – o único!
Benditos os que têm um Téo para comemorar.
Francisco Nery Júnior

