24 de julho de 2026 16:17

A força do amor

Redação PA Notícias

“O meu amor chorou” assim começa o nosso papo, cronista e leitor. Temos muito que falar. O poema inicia muito bem fundamentado. Há um amor que chora. Choro que significa esperança. Há esperança e o amor funciona.

O personagem não sabe “por que razão”. Ou ele ainda não foi lá, ou é um cínico no sentido primário do termo. Ou não quer saber. De fato, a verdade incomoda. E então entra o raciocínio – provocado por aquele choro: “Também pudera!”. Ahá, ele não estava acostumado. A sua praia era outra. O seu mundo era diferente – sem o amor. Ele não estava acostumado “à vida de casado”, para ele uma possibilidade remota: a vida de casado. Casado, pra quê? Repartir emoções e responsabilidade, pra quê? Qual a justificativa se o seu ambiente, pra ele prazeroso, desprezava o amor, o que é eterno e não apenas passageiro? Também, pudera!

Já no caminho da redenção, ou da brusca conversão de rumo (pelo amor revelado em choro), ele vai além e declara que “faço força pra ficar em casa”. Ele tenta com toda sua força. Ele deseja, mas o passageiro, o vazio e o inconsequente dominam a sua vida. “Mas é tão difícil a gente se conter!”. É difícil mesmo, o que nos conduz, a nós outros, a sermos tolerantes para com os outros.

Vem a justificativa: “Antigamente a minha vida era de bar em bar”, isto é, vida vazia, sem amor, sem compromisso, levada pelas circunstâncias, sem finalidade. “…pelas ruas da cidade”, ou seja, ao relento.“A chuva quando cai, a gente vem, a gente vai”, ao léu, solto ao vento do perigo e da perdição.

“E fica pela rua até o amanhecer”, trocando o dia pela noite, se exaurindo em forças para absolutamente nada.

Então a virada: “Mas [que é uma adversativa, que implica mudança de rumo] lhe prometo um dia (conversão lenta ou programada) mudar de vida”. A vida requer uma mudança constante, não há escapatória. Vivemos para progredir, seguir avante deixando o passado para trás.

Repare o leitor a força do amor: “mudar de vida pra lhe consolar”. Amor mair que fazer um sacrifício para consolar o próximo, no caso a amada? Amor que vai muito além do consolo “pra fazer seu gosto embora morra de desgosto” (renúncia total e possivelmente irreversível).

“Deixarei tudo que tenho pra você não chorar”. Para você ser feliz comigo. Choro e felicidade são incompatíveis. Tudo! Absolutamente tudo, podemos inferir. E o chavão consagrado para o encerramento do nosso papo de final de semana que nos convida à prática da tolerância: “Só o amor constrói”.

 

Francisco Nery Júnior

P.S. Paulo Diniz: O meu amor chorou

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *