16 de junho de 2026 19:55

Copa do Mundo

Redação PA Notícias

Sucesso do futebol

Para início de conversa, lá, no futebol, há dinheiro e credibilidade. Os caras, os aficionados – ou os fanáticos se o leitor preferir – se jogam de corpo e alma no afã de competir e ganhar. “Sem o danado do dinheiro não se faz nada”, dizia a minha mãe, e “o que não é?”, retrucava um médico aposentado quando eu lhe dizia, na mesa da festa de aniversário de um vizinho, que eu havia me desgostado do futebol quando percebi que o que realmente manda – ou o que faz ganhar – é o dinheiro.

Mas eles têm moral – e não abrem mão de princípios fundamentais para o sucesso da sua atividade: dedicam-se inteiramente, cumprem acordos, esquecem-se um pouco da família, enfrentam críticas acerbas, a aí vai. Eles não abrem mão da disciplina em campo. Não retiram do árbitro o fundamental mando de campo. No campo, o árbitro é autoridade e se faz respeitar. Nenhum chefete de fancaria, nenhum agente contratado para anular o esforço dos comprometidos, nenhum negacionista da ordem e do desenvolvimento; nenhum deles ousa sacar o árbitro em uma partida de futebol.

Jogo de abertura da Copa do Mundo de 2026, o México enfrentava a África do Sul. O árbitro Wilson Pereira Sampaio, brasileiro, no quadro da Fifa desde 2013, mantinha o padrão a ferro e fogo. Com isso queremos lembrar que ele aplicou três cartões vermelhos durante o jogo. Altaneiro e preciso, garantia a seriedade e a lisura no jogo inaugural da Copa. Ele expulsou três medalhões do certame! Repare o leitor que o termo empregado nessas ocasiões é expulsar. Ninguém, absolutamente ninguém, sugere substituir o termo por “pedir para se retirar”, por exemplo.

Para não muito falar, os teóricos da educação poderiam meditar um pouquinho sobre esse nosso simples arrazoado. Se eles deixassem os árbitros de sala de aula atuar sem pressões absurdas – eles e os pais -, na educação, cuja crise no Brasil não é crise, mas um projeto segundo o professor Darci Ribeiro, nós já seríamos hexacampeões [em educação] há muito tempo com o povo maravilhoso e maleável que temos.

O que mais poderíamos argumentar está muito bem equacionado na cabeça dos nossos leitores. Ficamos por aqui a lamentar o fosso em que meteram o Brasil. Apenas observamos, de longe, e com certa pena, os malandros da hora a saborear sua triste e provisória vitória.

Francisco Nery Júnior

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