Glória lidera a produção aquícola no estado, produz cerca de 825 toneladas de tilápia por mês, gera empregos e abastece mercados em seis estados do Nordeste
Às margens do Rio São Francisco, a cerca de 440 quilômetros de Salvador, uma cidade de pouco mais de 15 mil habitantes se tornou referência nacional na criação de tilápia. Glória, no norte da Bahia, lidera a produção aquícola do estado e tem papel importante no crescimento da piscicultura baiana, que colocou a Bahia entre os dez maiores produtores de peixes cultivados do país.
Segundo o Anuário Peixe BR 2025, a Bahia produziu 36.450 toneladas de peixes cultivados em 2024, um crescimento de 7,2% em comparação com o ano anterior. A tilápia responde pela maior parte dessa produção, com 33.100 toneladas.
Dentro desse cenário, Glória aparece como o principal município produtor da Bahia. O ranking estadual ainda inclui cidades como Barreiras, Casa Nova, Cabaceiras do Paraguaçu e Paulo Afonso.
O sucesso da atividade está diretamente ligado à localização do município. Banhada pelo Rio São Francisco e pelos lagos de Itaparica e Moxotó, a cidade reúne condições ideais para a criação de peixes em tanques-rede. Atualmente, são 28 pisciculturas em funcionamento, distribuídas entre os dois reservatórios.
Dados do Censo Aquícola 2024 mostram que a tilápia é a única espécie cultivada nas propriedades pesquisadas. Juntas, elas produzem cerca de 825 toneladas por mês. A maior parte da produção é vendida dentro da própria Bahia, responsável por 58% das compras. Pernambuco aparece em segundo lugar, com 23%, seguido por Ceará, Alagoas, Sergipe e Paraíba.
A piscicultura também se tornou uma importante fonte de emprego e renda para a população local. O setor reúne 28 produtores, gera 147 empregos formais e mantém outros 90 trabalhadores diaristas atuando nas diferentes etapas da produção.
O reconhecimento de Glória como referência no setor não é recente. Em 2017, o município recebeu o título de Capital Nacional da Tilápia. Já em 2024, foi apontado como o maior polo aquícola da Bahia.
O avanço da atividade também tem impulsionado iniciativas na região. Em Paulo Afonso, município vizinho, a Prefeitura passou a incluir filé de tilápia na merenda escolar da rede municipal. A compra é feita junto à Associação de Produtores da Lagoa do Junco, fortalecendo a agricultura familiar e ampliando o mercado para os produtores locais.
Apesar dos resultados positivos, os piscicultores ainda enfrentam desafios. Entre os principais problemas apontados pelo censo estão a seca, a falta de mão de obra qualificada, dificuldades de acesso às propriedades, problemas de infraestrutura elétrica, espécies invasoras como o mexilhão-dourado e a baronesa, além dos custos de produção e da comercialização do pescado.
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Esther Morais

