Lula no quarto mandato. Todo mundo errou nas previsões para a eleição presidencial. Errou porque ninguém é pitonisa e o futuro só para os profetas de Deus. Vamos, mais uma vez, aqui na nossa coluna, conversar com os leitores o que eles não ouvem e veem na mídia em geral.
Flávio Bolsonaro começou a perder a eleição no segundo debate. Deixou de partir para o ataque e, conciliador, até pediu desculpas a Lula. Guerra é guerra e a parte precisa passar segurança. Lembra Jair Bolsonaro em 2022 a alisar o ombro de Lula – que, ladino, se esquivava.
O tiro no pé veio com Flávio sempre repetindo que manteria todos ao “avanços” sociais do Governo Lula sem especificar retoques. Ora, se um candidato vai manter o programa geral do outro, pra que mudar o gestor, deve ter raciocinado o eleitor. Mudança sempre será mudança com manobras de até 180 graus. Assim sendo, o Flávio titubeou.
Fator importante, o candidato da direita não conseguiu se livrar da imagem de filho de Jair Bolsonaro criado com todas as benesses de filho de uma classe privilegiada. Longe a imagem de um senador maduro e comprometido com o bem nacional.
Lula, no segundo debate, ladino e experiente, não deixou passar a oportunidade e disparou que “Ele diz que vai fazer tudo o que a gente já faz”.
Então Lula ganhou. Para a professora Conceição Tavares, “ganhou porque é bom de voto”. Carisma é um dom reservado para poucas pessoas. É um fenômeno inexplicável que cai do céu privilégio para poucos. Lula é, definitivamente, carismático.
Após a vitória no segundo turno, uma frase enigmática chamou a nossa atenção: “Vamos fazer um governo diferente”. Ou Lula admite sérios erros de rumo que colocaram o Brasil na rabada do desenvolvimento mundial ou sabe que vai pagar o preço para descascar o abacaxi que ele mesmo criou. Pouco tempo atrás, ele surpreendentemente declarou que o caminho para o Brasil pujante passa pelo desenvolvimento e defendeu os investimentos em infraestrutura. O problema é de onde virão os recursos. O montante arrancado do nosso bolso é suficiente apenas para o custeio da máquina administrativa e para o pagamento dos juros da dívida interna.
A vitória de Lula coloca a Bahia do Governador Jerônimo em situação privilegiada (66,17% dos votos válidos). Lula certamente focará a sua atenção, ou o seu agradecimento, no apoio ao governo da Bahia. Para nós de Paulo Afonso, o prefeito Galinho fica confortavelmente situado em relação ao acesso às verbas federais necessárias para a implantação dos projetos municipais. Se não perder o elã, o ímpeto das realizações, se ouvir mais que falar, se calar os adversários com obras e administração, se primar pela lisura e transparência, será facilmente reeleito e terá uma brilhante careira política.
Luís Inácio Lula da Silva ganhou porque o seu adversário é fraco, porque tem carisma e porque é bom de voto e comunicação a despeito da situação econômica do país.
Francisco Nery Júnior

