11 de outubro de 2026 20:13

O preço da malandragem

Redação PA Notícias

A malandragem um dia cobra o seu preço. No caso do Brasil, as narrativas prevaleceram por longo tempo. E o país patina no atraso na rabada de países que entraram na rota do desenvolvimento.

Uma das malandragens, para não grafarmos um termo mais grosseiro, foi o governo do senhor Fernando Henrique Cardoso ter cancelado, numa vil canetada, as contribuições dos brasileiros, para fins de cálculo da aposentadoria, referentes ao período anterior a 1994. Em outras palavras, o infeliz “salvou” o INSS à custa de um grupo de brasileiros que suaram a camisa, trabalharam e foram, como os estudantes da França alegam, feitos de palhaços. Pena que, em Paris, a Cidade Luz turvada pela sua presença e perturbada nos ouvidos pelo farfalhar dos seus beiços soltos, ele, na idade provecta, perdeu a noção da sua injustiça, quiçá maldade.

Nas últimas eleições, o resultado, ou o efeito do desprezo, mépris em francês, que os jovens franceses, ouriçados, bradam pelas ruas da França. O termo aparece, está onipresente na linguagem do Le Monde de Paris de 09.10.26, “nos placares, nas bandeirolas e nos testemunhos dos estudantes de ginásio”. No nosso caso, o resultado apareceu nas urnas.

A queixa maior dos estudantes franceses é a “falta de consideração da qual padece a juventude na França”. “Vocês debocham de nós sem jamais nos ajudar”. Dá para lembrar um determinado terceiro poder do Brasil mancomunado com os outros dois.

O deboche de lá fez surgirem ressentimentos expressos em declarações como “eles nos fazem passar por vândalos, crianças excessivamente mimadas”.

Os jovens franceses mobilizados bradam o sentimento de terem sido desprezados pelos poderosos do momento na França, publica o Le Monde de Paris.

O Brasil cresceu a taxas desprezíveis nos últimos anos. A infraestrutura é insuficiente para o desenvolvimento (uma fonte reclama que cerca de 30% da produção do agro no Brasil se perdem por falta de meios adequados para o escoamento) e milhares de favelas abrigam brasileiros à espera do progresso que até o Paraguai já se convenceu e dele se apropriou.

Francisco Nery Júnior

P.S. Na realidade, o INSS é superavitário, afirmam competentes analistas. O “deficit” do instituto é devido às inúmeras inserções feitas no seu orçamento que deveriam ser debitadas ao Tesouro Nacional, e não ao INSS. Para não se falar na roubalheira escandalosa aos velhinhos desamparados dos quais este escritor foi um dos roubados.

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