20 de setembro de 2026 01:18

Com a palavra, a sociedade civil

Redação PA Notícias

Ela, a chamada Sociedade Civil, lá atrás, poderia ter evitado um genocídio e um trucidamento. Alguém de prestígio, com todos os seus símbolos acatados, poderia ter “conversado” com Antônio Conselheiro, dado-lhe um brinquedo, como o Governo Getúlio Vargas tentou cooptar Lampião com o título de capitão; esse alguém, com o auxílio certo do Padre Cícero, poderia ter parlamentado com Virgulino Ferreira da Silva e os desfechos, com toda certeza, teriam sido diferentes – para melhor.

No momento nacional, os poderes da República não se entendem. Na verdade, não querem se entender. Cada um quer o poder político para si; inflacionado para si. Os escândalos e o acúmulo de benesses e vantagens se multiplicam e se revelam. “O poder, meu filho, o poder”, repetia Ulysses Guimarães.

Alguém tem que preencher o vazio antes que algum aventureiro lance mão da coroa do poder – em desvantagem para os mais fracos, o povão, os descamisados, os campesinos distantes, os desvalidos da sorte; os miseráveis.

Temos duas entidades altamente avaliadas pelo povo brasileiro: os militares e a Igreja Católica (a diversidade evangélica ainda incipiente). O povo as respeita, o que nos leva à conclusão que deseja ouvi-las. Aceitar as suas intervenções para a resolução do impasse. O povão paga pesados impostos. Luta para sobreviver. Tenta exercer o seu dever cívico. Como cidadãos, se esforça para cumprir as leis.

Ninguém, porém, é de ferro. A paciência tem vida curta e o estômago fala mais alto que qualquer ponderação. Comer ovo pode ser igual a comer brioche. Dessa forma, cabeças podem rolar, algumas desnecessariamente.

Com a palavra, a sociedade civil, nossa última esperança, antes que venha o fogo do céu.

Francisco Nery Júnior

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