10 de setembro de 2026 18:44

O climax de 1964

Redação PA Notícias

O Brasil está estarrecido com as revelações em consequência das investigações do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal sobre o caso Banco Master. Os brasileiros estão em polvorosa. Na realidade, estão decepcionados. Olhavam para o lado, não se comprometiam, e tocavam a vida. Verdades à tona, a consternação nacional.

Acabo de voltar da Rua da Frente e da área do Mercado Municipal. Só se fala – e só se revolta – sobre o escândalo escandaloso de um bando de figurões da República.

Há anos bradamos nas nossas colunas e nos microfones de Paulo Afonso que estamos em um Titanic prestes a afundar. Saltava aos olhos a hipocrisia e o cinismo de tais figurões. Podemos ter passado por implicantes ou inconsequentes. Escapamos da prisão arbitrária de quem detinha e se deliciava com o poder e vemos a casa cair.

A verdade crua e cristalina vindo à tona, os prudentes brasileiros (não grafamos medrosos, a História mostra que eles não são medrosos) começam a sair da toca. Treze ex-ministros do Supremo assinam documento pedindo apurações e providências. Entidades representativas se manifestam. Manifestos se multiplicam.

O panorama lembra 1964. O presidente João Goulart havia perdido o controle do país e as greves e a desordem pipocavam. Às vezes mais de uma greve em um só dia. Era manifesto de toda ordem e de toda beira. Em suma, a anarquia. Até que – pelo menos esta a narrativa histórica – um general se levantou em Minas Gerais, os colegas o seguiram e aconteceu a Intervenção Militar que durou pouco mais de vinte anos.

A intervenção dos virtuais executores do Poder Moderador no Brasil de Deodoro da Fonseca até a queda do regime em 1985, foi consequência da solicitação de uma classe média assustada com a possibilidade de a anarquia tomar conta do país com a consequente perda das suas conquistas. Os militares não intervêm (intervinham). Eles são solicitados a intervir. Fala-se de esquadra norte-americana na costa brasileira em 1964 como se fala em apoio de Cuba e da extinta União Soviética à causa esquerdista. Segundo mais de um historiador, ganhou quem saiu na frente. Teria sido um tudo ou nada.

A hipótese de uma intervenção militar no momento é remota. A nossa conclusão se apoia em uma série de evidências cuja exposição não caberia neste espaço. A perplexidade dos brasileiros salta aos olhos sobre quem poderia sair na frente e colocar ordem na casa.

O senador e economista Roberto Campos chamava a Constituição de 1988 de constituição do besteirol e o deputado e também economista Delfim Neto declarou que com ela o Brasil é ingovernável.

A nossa conclusão como observador distante e consciente é que a solução para o Brasil repousa na convocação de uma equipe de notáveis com a finalidade de redigir uma nova – e enxuta – Constituição Federal dentro, evidentemente, dos trâmites legais, e ouvindo atentamente a opinião de todos os brasileiros responsáveis e pagadores de impostos.

Francisco Nery Júnior

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