Revelações do caso Banco Master colocou Brasília em pânico. Quadrilhas de altos figurões da República a se locupletar de benesses. Dá para lembrar o ator Procópio Ferreira em cena: “Vamos, diga, responda: eu mereço isso, mereço?”. O povo brasileiro, financiador da farra dos assaltos, o povo, que em alguns dias terá a oportunidade de virar a página de uma triste realidade do Brasil, merece isso?
Há uma crise no Judiciário Brasileiro. Na realidade, não é uma crise. Nós estamos a tomar conhecimento de um grande esquema de assaltos aos cofres públicos do Brasil que é, de fato, um assalto à confiança, talvez à ingenuidade, dos brasileiros.
Não temos um poder moderador para mediar a “crise”. No passado, os militares, em algumas ocasiões, intervieram e o país atravessou marés altas de crises. Eles, como facilmente dedutível em 1964, atenderam ao chamado da população classe média assustada com o perigo da instalação de um regime totalitário. O presidente João Goulart havia perdido o controle do governo e a realidade era um tudo ou nada. Venceu a turma da direita e o Regime Militar vigorou por vinte anos.
A classe militar do momento se declara apolítica. Os militares se resumem aos quartéis na tarefa mínima de manter a ordem em caso de necessidade. Eles bem observam militares de alguns países na cadeia após golpes esgotados, por tentativas de golpes reais ou imaginárias – e se reservam.
O Senado [Federal] teria condições de atuar como moderador em situações de crise. O presidente poderia presidir a República com seu poder político e moral deixando seus próprios interesses e seus ímpetos de vingança para trás seguindo os exemplos de Juscelino e Getúlio Vargas.
Resta a nós outros pobres mortais esperar que alguma coisa de melhor resulte da briga cínica e insana dos figurões da República do Brasil.
Francisco Nery Júnior

