31 de agosto de 2026 01:15

O vereador e a m___

Redação PA Notícias

É o que a mídia local nos dá conta: um vereador teria dito que nós, nós da imprensa, jornalistas, seríamos uns m___s. Algo correspondente.

Às vezes nós nos zangamos, perdemos a paciência, e alguma coisa peremptória quase sai da nossa boca. Ela retorna da ponta da língua de rabo entre as pernas e nós nos livramos de um inconveniente que só nos traria aborrecimento e prejuízo. Pode ser que o freio seja consequência de uma advertência do Mestre. Jesus, o Filho de Deus, nos adverte que ao chamarmos o próximo de tolo, já estamos pecando. Imagine o leitor nós o chamarmos de m___!

Assim fomos chamados, segundo o que lemos. Antes de fumegarmos de raiva, cuspirmos fogo e desejarmos a vingança na lata, a consideração que nós não somos. Não somos mesmo. Temos certeza. Nós não somos m___. Contribuímos para a educação e a formação cidadã dos nossos leitores e ouvintes. E eles agradecem; nas ruas e nas esquinas, nos agradecem. Eles nos sabem o virtual quarto poder no Brasil que não tem um Poder Moderador. Sobretudo, eles nos amam – e sabem o que aconteceria se não fôssemos livres para expor as nossas opiniões, as nossas análises e a nossa esperança. Sem nós outros, os malandros seriam mais malandros ainda.

Comparados a m__! Teria sido tão constrangedor como parece? A m__ só é o que é para evitar o pior. Ela não serve mais para nada ao corpo do animal. Por isso é abjeta e repugnante. O Criador sabe muito bem o que Ele fez; como fez. Imaginemos a m__ cheirosa, apetitosa e atraente. Sentado no vaso, o sentido inverso da dispensa da m___ no vaso sanitário: infecções e doenças. Além do mais, tudo que ela tinha de aproveitável, todas as virtudes e vitaminas, já se foram. Ela não serve mais para nada. Por isso a dispensamos diligentemente sem dó nem piedade.

Ela é insignificante. O monturo é o seu lugar. É o que ela significa para nós do Reino Animal. Nada mais significa corroborando a Lei de Lavoisier. Ela se transforma e dispensa os seus átomos para outros misteres da vida.

Se, pelo menos, a intenção tenha sido de nos comparar à m____como ela era no dia anterior, isto é, na mesa majestosa ou no banquete delicioso, daria para suportar o golpe com menos lamento – ou langor . Poderia ser considerada um saboroso elogio.

Como a história não se encerra no parágrafo anterior – e como existe o Reino Vegetal -, continuamos o nosso arrazoado. A turma do Reino Vegetal adora a m__. Ela, para eles do Reino Vegetal, é nutriente e vida. Com ela, eles florescem. Tornam-se polpudos e nos fornecem alimentação e vida. O solo adubado com m__ torna-se produtivo. É só consultar o pessoal do agronegócio ou o campesino valente da Zona Rural.

Então ela não é tão ruim assim. Não é imprestável e faz diferença. Seria isto o que o nobre edil teria querido dizer? Antes fosse. Seria até um ato educativo. Uma aula de ciências naturais e um avanço. Pode ser que muita m__ esteja sendo desperdiçada por aí afora.

De forma que, pelo menos para mim, a matéria são águas passadas. Não me atrevo a recomendar ao infeliz edil um pedido formal de desculpas. Vejo o incidente por esse ângulo do mapa. Se ele nos enviar algum tipo de afago, para não grafarmos desculpas, terá muito bem feito. Estará apagando um incêndio desnecessário.

De fato, o nosso desejo é vê-lo na tribuna da egrégia Câmara de Vereadores a debater os grandes e urgentes temas locais e ajudar a encontrar as melhores saídas para o desenvolvimento que nos traz alegria, saúde, paz, prosperidade e felicidade.

Francisco Nery Júnior

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