21 de agosto de 2026 14:41

Uso responsável da tecnologia

Redação PA Notícias

Os jornais publicaram a morte por linchamento de um suspeito de assalto no Rio de Janeiro. O infeliz já morto, a constatação que ele era inocente.

Os responsáveis pela segurança dos cidadãos brasileiros apelam, cada vez mais, para a tecnologia como meio de aperfeiçoar a vigilância e a prevenção. Em São Paulo, eles se apoiam na tecnologia de reconhecimento facial fornecida principalmente pelos israelenses e pelos chineses.

Como seguro morreu de velho, e para evitar erros incorrigíveis, carece, a nosso ver, algum grau de prudência. Tecnologia não é sinônimo de perfeição. Não nos parece prudente confiar plenamente em um sistema tecnológico logo após a sua implantação. Traduzimos, para o leitor do Panoticias, matéria publicada no Le Monde de Paris em 20.08.26 por Anne – Dominique Correia (São Paulo [Brasil], enviada especial) sob o título “No Brasil, São Paulo se orgulha do seu sistema de vigilância massivo apesar de uma eficácia contestada”.

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Em 27 de março após o meio-dia, Ailton Alves de Souza, responsável de recursos humanos de 41 anos, se encontrava em uma unidade de saúde perto de Heliópolis, a maior favela de São Paulo no Brasil. De repente, policiais chegaram para conduzir o homem para a delegacia: uma câmera de vigilância municipal o havia identificado como um assassino procurado pela Justiça. “O cara se chamava também Ailton, mas não era eu!”, declarou ele na quinta-feira 13 de agosto ao volante do seu carro.
Os policiais o soltaram após terem verificado suas impressões digitais: era a sexta vez que Ailton Alves de Souza era detido por engano em seis meses. “Não foi senão após ter dado várias entrevistas para a televisão e dado queixa que essa situação cessou”, ele explica.

Como ele, 83 pessoas já foram erroneamente identificadas como fugitivos da Justiça pelas 50.000 câmeras de vigilância do sistema municipal Smart Sampa.

Introdução e tradução do francês por Francisco Nery Júnior

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