29 de julho de 2026 17:05

Mais um ano se passou – 28 de julho

Redação PA Notícias

Emancipação de Paulo Afonso, emancipação de Glória a mãe inesquecível e prezada. Emancipação para crescer e jamais se esquecer dela. Honrá-la. Mais um ano se passou no último 28 de julho. Na Avenida André Falcão, aliás, Apolônio Sales, o tradicional desfile onde Paulo Afonso se encontra. Todos descontraídos, absolutamente descontraídos, surpreendentemente descontraídos, a louvar a emancipação e a testemunhar a crença no futuro pela frente, um futuro profético. O doutor André Falcão, lá atrás, vaticinou Paulo Afonso como qualquer cidade da Bahia. Data vênia do doutor André, o vaticínio ficou pela metade. Ainda bem que ficou por aí, contra os dizedores de não que insistiam no “vai acabar, vai acabar”. Não acabou!

E resplandeceu ontem na avenida. Todos, vale reafirmar, jogavam para fora, vinda da alma, a fé no nosso futuro. Este ano, no cantinho do palanque oficial do desfile destinado à imprensa, um lugar de observação privilegiado: a turma desfilou com garbo! Todos atestavam a crença interior que valeu a pena apostar no nosso futuro. Acreditamos no nosso destino e aqui investimos. Não fomos embora com a sacola do sucesso, talvez provisório, embaixo do braço para o exílio em um apartamento de quatro paredes qualquer em uma das nossas capitais. Insistimos na cidade não para inglês ver, mas para ver os inimigos de Paulo Afonso, os malandros e aproveitadores, com o rabo entre as pernas.

“Mais um ano se passou e nem sequer ouvi falar seu nome” (Cassiano e Paulo Zdanowski, lançamento em 1975). Os desfilantes bradaram o nome de Paulo Afonso aos quatro cantos do mundo. Sites outros nos pedem permissão e reproduzem as nossas matérias. Paulo Afonso continua a fornecer a energia necessária ao desenvolvimento do Brasil em todos os sentidos.

“Caminhando pela estrada, eu olho em volta e só vejo pegadas”. Ainda bem que nós as vemos. Não somos ingratos, ingratos à Chesf e aos pioneiros que se enraizaram em Paulo Afonso. Aqui ficaram e alguns aqui morreram provocando o esplendor que nos esforçamos para expor. Vemos as suas pegadas que ilustraram o nosso caminho, procuramos imitá-los, embora tropegamente, e louvamos a Deus pelo esclarecimento e visão que tiveram.

Um desfile é sempre esclarecedor. Vimos, lá de cima, as crianças absolutamente responsáveis a cumprir, rigorosamente a cumprir, as orientações dos seus pais e de seus – suas na maior parte – tutores. Tocante e surpreendente. Passamos, a partir de ontem, a melhor entender a passagem do Mestre: “Se não vos fizerdes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus”.

Também tocante e comprometedora a presença do povão, a razão de tudo que escrevemos, na avenida. Ele, o povão, parecia dizer, olhando de lá adiante – não lá de baixo – que ali no palanque residia boa parte da sua confiança na condução dos destinos da cidade. De cada um de vocês aí de cima, pareciam dizer, esperamos responsabilidade, critérios e, em última análise, amor ao próximo.

E assim, manhã do dia seguinte, a alma alimentada de esperança, a volta ao trabalho e à certeza que só ela e amor constroem.

Francisco Nery Júnior

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