12 de julho de 2026 17:55

Chesf histórica

Redação PA Notícias

O projeto Chesf foi, efetivamente, uma epopeia que não podemos esquecer, uma epopeia com os devidos heróis. Cada um de nós tem a sua história para contar, nós os pioneiros. Vinte anos após o início das obras, lá nos idos de 1974, ainda muitos obstáculos para vencer. A vida ainda era dura: estradas de acesso a Paulo Afonso precárias, comunicação com as capitais uma batalha, assistência médica limitada, saudade do que foi ficando para trás. Somos, os da época, veteranos da entrega e da renúncia. Já era tempo de recebermos a “Praça dos Pioneiros”, um memorial devido, senão a heróis, mas a cidadãos decididos a ser transformadores.

Na área da cachoeira, apenas uma vila ou agrupamento de pessoas; nativos ou comerciantes provedores de víveres necessários à sobrevivência dos moradores que a tudo renunciavam – para ganhar dinheiro, a mola instigadora do progresso. Carecia uma proteção, algo como uma demarcação, um muro divisório. Então, o famoso muro a dividir o pessoal do projeto e os aventureiros ávidos de encontrar os meios necessários para sobreviver. Com os pioneiros, vinham os simples aventureiros e, aqui e acolá, os mal-intencionados. Na visão e praticidade da Chesf, o caminho mais fácil – o muro!

Houve fatos notáveis como a contratação de cerca de mil jardineiros no Acampamento. O doutor Amaury, então diretor técnico, (a conclusão é nossa) fez questão de empregar os retirantes da seca e da miséria. Se algum objetivo outro, não sabemos. Na Paulo Afonso município iniciante, a Chesf sempre presente. Tudo era a Chesf a ceder algum tipo de ajuda; ajuda e atendimentos. De toda a região, necessitados de atendimento médico no Nair Alves de Souza. Partos, cirurgias e atendimentos de pronto-socorro – não só para os chesfianos. No Serviço de Ensino Chesf, 62% dos alunos não filhos de empregados Chesf.

Na administração José Ivaldo, colocamos uma pedra monolítica milenar na área antes da ponte do canal. A Chesf nos cedeu carreta, guindaste e pessoal sem os quais a operação de transporte e colocação não teria sido possível. Nas ações de caridade, a companhia sempre presente. Atualmente, ela nos paga royalties!

Imprecisões e erros sempre acontecem. Aconteceram no Acampamento e fora dele. Como exemplo, o Parque de Exposições [de gado] que se nos apresenta como um elefante branco. A culpa, esta a explicação, está no critério orçamentário e na escolha de prioridades. Havia uma verba especificamente para parques de exposição. Colocada à disposição de Paulo Afonso, foi aceita e o parque surgiu do nada para o quase nada. Coisas da burocracia, senão da “burrocracia” e da centralização das decisões. Qual administrador teria recusado a verba passando-a para um município próximo criador de gado?

O critério de redentora atribuído à Chesf não consegue ser riscado da cabeça de um cronista, talvez historiador, há 52 anos na área. Ainda criança, em Salvador, o meu pai a aposentar o candeeiro a querosene e os frequentes apagões das usinas térmicas de Salvador condenados ao esquecimento. E o velho, renitente cidadão crente no futuro do Brasil, a bradar: “Agora temos energia de Paulo Afonso!”. O menino promissor pôde, dali pra frente, estudar com segurança, sem quedas perturbadoras de energia e, mais tarde, passar em um concurso de 316 candidatos e se tornar empregado de uma empresa solidamente entronizada na História.

Francisco Nery Júnior

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