O título foi inspirado em Sobrados e Mucambos de Gilberto Freire, minha leitura do momento. Já vou lá pelo meio. Banho de conhecimentos e análises do Brasil Colônia e do Brasil Imperial. História detalhada do Brasil que os professores de história poderiam explorar um pouco mais com os alunos em sala de aula, como o professor Cid Teixeira fazia no rádio para os ouvintes sedentos de Salvador quando eu me sentava para ouvir todos os dias após o almoço – após o almoço!
Da Casa Grande para o Sobrado e da Senzala para o Mucambo, o Brasil se desenvolve aos poucos; aos trancos e barrancos. Não como desejariam poucos e resumidos políticos, mas a despeito da maioria deles, habitantes de mansões encravadas nos locais mais valorizados das grandes cidades brasileiras (vide escândalo da hora). “Digno é o trabalhador do seu salário”, bradam astuciosamente eles a citar a bíblia aumentando consideravelmente a sua condenação nos tempos a vir.
Antigamente era só o chefe, o patriarca dos tempos do patriarcalismo. Agora, nos dias de hoje, é toda a família a disfarçar o destino das fortunas desviadas dos bolsos de nós outros pobres cidadãos pagadores de impostos – arrancadas, melhor dizendo. Paciência. Só nos resta aguardar que um dia, quem sabe um dia, o populacho aprenda a votar. Pelo menos isso: votar nos abençoados apontados pelos grupos dominantes. Talvez votar nos menos ruins.
Alguns já compararam a política a uma panela de macarrão. Nela o macarrão se derrete. Amolece. Não oferece resistência. É cooptado. Se mistura. Corrompe-se. “O macarrão só é duro antes de entrar na panela”, fala o povão. Lá dentro, cada interesse cria uma lógica [uma desculpa] – para roubar.
E a gente pobre e ingênua continua a trocar o seu voto por uma bolseta família qualquer que a condena à eterna miséria.
Um dia, o autor em um grupo de ação. Na discussão, a preocupação da parcimônia ou o dever de bem empregar o dinheiro do grupo com responsabilidade, sem sabedoria, interesse pessoal ou privilégio. Do líder, a pronta declaração que ele não era “imbecil”. Até hoje a dúvida de [eu] ser imbecil – ser ou não ser.
E o fosso se aprofunda no Brasil dos escândalos sucessivos.
Francisco Nery Júnior

