Avanço no combate ao crime organizado no Brasil, Ancelotti a mascar o gosto dos seis a dois sobre a seleção do Panamá, o salário do estado atualizado (o advogado pegou sua lasquinha) e a cúpula do Governo da Bahia a dançar os folguedos de São João
esquecendo-se que precisamos de uma ponte adicional sobre o canal de PA-IV – questão de segurança pública em caso de desastres ou intempéries brabas. Em termos de dança, o estado vai muito bem. Dançar, dançar é salutar. Não há registro de Cristo a dançar entre os judeus, mas Davi dançou com suas odaliscas e concubinas em momentos de enlevo espiritual e de vitória.Esse o clima. Para as bandas do litoral da Bahia, olho para o céu – estamos nos esquecendo de olhar para o céu – e a lua a subir no horizonte. Puro encanto e beleza!
Na memória, o encanto do poeta. Era o caso de Fernando, revolucionário, velho sonhador, quem sabe o que eles chamam de nerd ou autista, a dedilhar a sua viola. Fernando em encanto no canto do seu exílio. Tudo indica não ter sido um exílio em Londres ou Paris; Arábia Saudita, Bahamas ou Catar. Foi no cantinho do esquecimento de nós outros ingratos como soe acontecer.
Então chega a razão e um pouco de incentivo para ir até o fim – não desistir. Tudo o que segue vem da memória para consolo do leitor:
“Dá pra ouvir os tambores, Fernando? À luz da fogueira, Fernando, você estava cantarolando para si mesmo e suavemente dedilhando o seu violão. Eu conseguia ouvir os tambores e os clarins das cornetas vindos de longe cada vez mais perto. Eu tremia de medo, Fernando. Nós éramos jovens e cheios de vida e nenhum de nós estava preparado para morrer. Havia algo no ar naquela noite, as estrelas tão brilhantes, Fernando. Elas brilhavam para você e para mim; para a liberdade, Fernando!”
Assim sendo, faríamos tudo de novo em uma nova vida, se fosse o caso, ou não faríamos?

Francisco Nery Júnior

