Entrada da cidade, primeiro dia do Moto Paulo Afonso, a invasão. De longe, não tão longe assim, abrigado embaixo de um toldo de supermercado, avistamos a coluna ponta de lança a invadir Paulo Afonso. Percebíamos as potentes motocicletas, tal zangões poderosos a roncar os potentes motores, avançar rodovia em direção ao centro. Elas anunciavam o encontro anual na Capital da Energia trazendo de longe não as cinzas do velho aeon, mas a esperança de um Nordeste unido em direção a dias melhores. Como galinhas orgulhosas após a postura geradora de reprodução e vida, traziam esperança. Sem ela, sem esperança, nada de avanço (desenvolvimento), felicidade (professor Lessa), e dever (Victor Hugo).
Dia seguinte, na área do mercado municipal, tradicional taba de reunião da tribo, amigos novos e velhos pioneiros a se encontrar, rememorando os tempos que não voltam mais; na área, um grupo com jaquetas negras e capacetes reluzentes nas mãos. Eram os motociclistas (gostaríamos de poder grafar motoqueiros) empacotados em equipamentos de segurança.
Então o contato com um deles, veterano do encontro, natural de Salgueiro, estado de Pernambuco, de nome Caio. A moto a poucos metros atestava o gosto pelo motociclismo: equipamentos de segurança à vista, banco adicional adaptado para o conforto da esposa, ele que não é tolo.
Logo veio o elogio à recepção dos participantes do encontro pelos pauloafonsinos, “povo acolhedor e prestativo”, o que percebemos como um avanço na nossa comunidade provando que gentileza gera gentileza.
Sobre a nota para a organização do evento, a resposta foi quase dez. A observação foi a colocação dos sanitários químicos um pouco distante dos participantes. Segundo o nosso interlocutor, passarela segura, equipamentos limpos, mas cabines talvez muito longe para resolver uma emergência.
Segundo dia, manhã de sábado, a percepção do aumento do movimento no comércio, mesmo em estabelecimentos longe do centro como no Mercadinho JE do BNH, fato confirmado pelo proprietário Eguinaldo.
Então que viva o Moto Paulo Afonso. A presença dos jovens e maduros desbravadores do motociclismo nos encanta e mesmo nos empolga com o seu espírito de companheirismo e solidariedade.
Eles curtiram o evento e as maravilhas da Capital da Energia do Nordeste com toda a segurança exigida – é uma exigência! – e voltaram para casa inteiros e em paz para retornar no próximo ano.
Francisco Nery Júnior

