7 de junho de 2026 10:16

Memórias de Paulo de Deus, um ex-prefeito fazendeiro

Redação PA Notícias

Entrevista realizada pelo prof. Francisco Nery com o ex-prefeito Paulo de Deus, em maio de 2022.

O doutor Paulo de Deus se mostrou animado, senão entusiasmado, em conceder esta entrevista. Assim atestou a sua filha, a doutora Viviane de Deus, através de quem os primeiros contatos foram realizados na Clínica de Ortopedia e Fisioterapia, CLIOF, situada na Avenida Apolônio Sales.

Perguntas e respostas foram encaminhadas através dos recursos da informática, o que nos podou o gosto do bate-bola face a face. Afinal, entrevistado e entrevistador são dois ansiosos da vulnerabilidade em fim da pandemia da Covid-19.

A entrevista foi concebida com o objetivo maior de trazer para o leitor um pouco da experiência e a visão do ex-prefeito e ex-gerente regional de produção da Chesf sobre desenvolvimento e o futuro de Paulo Afonso. Certamente sairemos todos um pouco mais capacitados em termos de compreensão da vida, da política como meio de desenvolvimento – e felicidade – e do bom relacionamento humano sem o qual só haveria desentendimentos, disputas mesquinhas e retrocesso.

Prof. Francisco Nery: O senhor foi chefe da Gerência na Chesf em Paulo Afonso, tornou-se prefeito por oito anos e agora é um grande produtor de leite do Estado de Sergipe. Como é ser fazendeiro?

Ex-prefeito Paulo de Deus: inicialmente, não poderia deixar de agradecer pela oportunidade concedida por você em poder estar próximo de todos os pauloafonsinos. Falar da minha vida passa por experiências importantes como engenheiro eletricista na Gerência da Chesf e na condução, como prefeito, da cidade de Paulo Afonso. Todas essas oportunidades tiveram impacto na pessoa em que me tornei. “O ser fazendeiro” remonta às minhas origens. Sou filho de um fazendeiro. Viver no campo está na minha essência. Sou um homem simples do campo. Há mais de 40 anos, me apaixonei pelo Sertão. Hoje, vivo em uma fazenda e sou um sertanejo muito feliz.

Francisco Nery: A propósito de ter sido prefeito de Paulo Afonso, qual o seu mais importante legado? Antônio Carlos Magalhães avô uma vez declarou que a sua paixão [dele] era realizar. Qual a sua, enquanto prefeito?

Paulo de Deus: O carinho dos pauloafonsinos, dos moradores da área rural e da área urbana, sempre representou muito para mim. Era o meu combustível para trabalhar por dias melhores. Fiz muitos amigos. Sempre busquei estar atento às necessidades das pessoas. Toda a minha experiência como gestor durante a minha passagem pela Chesf, levei para a Prefeitura, trazendo aspectos importantes na gestão dos recursos públicos. O equilíbrio das contas públicas permite investimentos nas áreas mais sensíveis, como educação, saúde, assistência às pessoas, bem como investimentos que geram emprego e renda para a população. Essa foi a minha marca. Posso registrar algumas dessas obras que engrandeceram a cidade de Paulo Afonso: Matadouro Municipal, Parque de Exposições, praças, Emissário do Bairro Tancredo Neves, o calçamento e asfaltamento de inúmeras ruas e avenidas. A integração do antigo Acampamento Chesf teve um significado muito forte para mim. Era o sentimento do povo. Não havia mais espaço para uma Paulo Afonso que não fosse única.

Francisco Nery: A sua família, o núcleo familiar, o prefere fazendeiro ou político?

Paulo de Deus: — Minha querida esposa, Dona Kikina, responderia tranquilamente a essa pergunta…fazendeiro.

Francisco Nery: Alguma possibilidade de os seus eleitores o verem novamente prefeito de Paulo Afonso?

Paulo de Deus: hoje, responderia não. Deixaria para que outros, os mais jovens, pudessem ter a oportunidade de conduzir a bela cidade de Paulo Afonso. Dedicação e compromisso é o que a nossa cidade merece.

Francisco Nery: A ingratidão machuca? Como o senhor vê a ingratidão na política?

Paulo de Deus: A ingratidão é ruim em qualquer área. Ela afeta negativamente a vida das pessoas, seja na política, seja na vida pessoal. Para mim, é um dos piores defeitos que uma pessoa pode ter.

Francisco Nery: Como foi o dia seguinte ao seu último dia como prefeito?

Paulo de Deus: Claro que senti saudade da vida do fazer e do carinho das pessoas. Foi a maior experiência da minha vida. Sou muito grato por isso. Perceber que, depois de tanto tempo, ainda sou lembrado com carinho não tem preço. Muito obrigado.

Francisco Nery: O senhor quase conseguiu uma fábrica de biscoitos para Paulo Afonso. Como o dono não conseguiu isenção de impostos, decidiu levar a fábrica para Sergipe. Em retrospecto, sua decisão seria diferente hoje, considerando que os empregos e as atividades paralelas compensariam a perda?

Paulo de Deus: todas as decisões devem levar em consideração uma abordagem sistêmica. Na Bahia, por exemplo, a criação de polos de desenvolvimento, com potencialidades específicas, que atendam a diversas regiões, é fundamental. A consolidação desses polos passa pelo reconhecimento dos pontos fortes existentes em cada região e pelo fomento, apoio e suporte do estado para que isso aconteça. Paulo Afonso já revelou que é polo em diversas áreas, como educação e saúde. Na minha visita ao candidato ao Governo do Estado da Bahia, ACM Neto, tive oportunidade de conversar com ele e externar um pouco do quanto Paulo Afonso pode crescer. Citei o exemplo do Hospital Nair Alves de Souza, que tem a vocação de ser um hospital que atende diversas regiões de vários estados. Mas sou favorável a programas de isenção por um determinado período para atrair investimentos.

Francisco Nery: O senhor foi empregado da Chesf. O senhor concorda com a privatização da Eletrobras [da qual a Chesf é parte integrante]? Na realidade, a proposta do governo Bolsonaro é algo parecido com capitalização da empresa por venda de ações, permanecendo o governo majoritário.

Paulo de Deus: É preciso entender que o nosso país não tem condições operacionais para investimentos em novas fontes de energia, bem como aumentar o sistema de transmissão tão necessário. O risco de racionamento está presente nos nossos dias. Depender de apenas uma matriz energética representa um risco elevado. Portanto, a capitalização com recursos envolvendo a iniciativa privada é necessária.

Francisco Nery: Se as pesquisas se mantiverem como se apresentam hoje, ACM Neto será o próximo governador da Bahia. O senhor já declarou o seu voto favorável e já se encontrou com o candidato. Alguma promessa de cargo no futuro governo?

Paulo de Deus: O jovem ACM Neto tem serviço prestado ao povo baiano. Já passou pelo legislativo como deputado federal e já foi prefeito, estando no ranking dos melhores prefeitos do país, o que o gabarita para ser um brilhante governador do estado. São pessoas como ele que o Brasil precisa. O meu apoio não está condicionado a nenhum cargo. Sou entusiasta de homens públicos que servem, da melhor forma, ao seu povo. Neto é essa pessoa. É o melhor candidato e será governador do Estado da Bahia.

Francisco Nery: O pessoal de Piranhas e Canindé consegue manter o fluxo turístico e a turma de Delmiro Gouveia marcou um tento com a inauguração de um shopping center Na sua visão, como trazer o turista de volta para Paulo Afonso?

Paulo de Deus: É preciso reconhecer que o turismo é uma área que necessita de fomento. Para Paulo Afonso, muita coisa pode ser feita. O estado e nosso futuro governador ACM Neto têm papel fundamental para o desenvolvimento dessa área. O reconhecimento da nossa cidade como polo de turismo sinalizará que investimentos serão canalizados. Assim, a vinda de hotéis e shopping são alguns exemplos de respostas a essas ações.

Foto: Arq. Folha Sertaneja

Por Francisco Nery Júnior

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