13 de março de 2026 18:04

Dia dos Animais – nossas carroças

Redação PA Notícias

Dia 14 de março é, no Brasil, o Dia dos Animais. Gatos para as donzelas, papagaios para os mais tradicionais, cavalos para os estilizados e cães para os mais pulverizados; pequeninos para as madames e de porte para os mais atléticos. O fato é que gostamos deles. Nós os amamos. Amamos aos animais.
Amamos, assim, os burros de carga, aqueles parceiros dos carroceiros que nos prestam inestimáveis serviços. Nós os vemos nas nossas ruas a puxar as cargas que desprezamos e a nos trazer materiais vários de que precisamos. Embaixo de um sol abrasador, eles nos servem, na maioria das vezes ao lado complacente do seu tutor; na realidade do seu dono. Poderiam estar protegidos da escravidão, poupados do trabalho árduo a que os submetemos. A lei os protege – o que nós preferimos nos esquecer. Afinal, centenas de carroceiros precisam levar o pão de cada dia para os seus dependentes.

Vamos, de preferência, nos fixar nos nossos burros de carga neste 14 de março, Dia dos Animais.
Hoje, dia treze, precisamos de um deles. Era uma fêmea, com o burrinho ao lado a aprender a profissão. Orientados pelo tutor, nos livraram de um cascalho de obra indesejado. Levaram-no – levaram o cascalho – para um local predeterminado pelo poder municipal para posterior destino final, quiçá algum aterro de algum projeto maior. Já é alguma coisa e nós outros nos alegramos quando o tutor nos comunicou que havia um local para o descarte.

Talvez por curiosidade, talvez por responsabilidade cidadã, sorrateiramente seguimos a carroça, burra e burrinho a trotar na nossa frente, sob um sol abrasador já se sabe. De fato, esperávamos um local que fosse além de um descarte: acesso fácil, muros de proteção, cobertura contra o sol; bebedouro para os nossos homenageados (não nos esqueçamos que eles têm o seu dia 14 de março).
Sonhávamos até com um cocho com alguma forragem ou algum tipo de ração, mínima que fosse. Por que não? Neste país, temos bolsas diversas para todo tipo de gente, os que precisam e os espertalhões. Por que não, com o financiamento de nós outros que trabalhamos e pagamos impostos, um pouco de bolsa para os animais dos carroceiros que nos servem de sol a sol?

Bolsa para quem provê algum retorno para o grupo, para os companheiros, para os cidadãos de um país que insiste em não se desenvolver. Pelo que temos lido e visto, cremos que as nossas ponderações não cairão em ouvidos moucos. Arriscamos que na nossa próxima visita encontraremos, não necessariamente um SPA para os nossos animais de carga, mas um lugar com um mínimo de condições para eles se refazerem e nos servir até que um dia os carroceiros venham dispor de veículos motorizados e as carroças se tornem coisa de um passado que não voltará jamais.

Francisco Nery Júnior.

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