São dez ilhas na costa oeste da África colonizadas pelos portugueses. Juntas, cada uma com suas peculiaridades e belezas, formam o país de Cabo Verde. A nossa terceira viagem foi eminentemente de turismo. O desembarque na capital, Cidade da Praia, contato com os amigos das primeiras viagens.
A meia hora de voo para a costa africana, em pleno Oceano Atlântico, Cabo Verde. Na capital, o entreposto de onde embarcaram para o Brasil – foram embarcados – vários dos nossos avós. Lá ainda prima o pelourinho da desonra. Lá, um passado que já se foi.
Da capital, de avião, para a Ilha do Sal esplendorosa e bela. Tive o privilégio de imitar uma cena das minhas leituras do Tesouro da Juventude: um turista americano a boiar, com um livro de leitura nas mãos, em pleno Mar Morto de Israel. Na Ilha do Sal, em um lago semelhante, boiei como cortiça de garrafa de vinho pela alta densidade de sal do lago. Não há como nadar porque as pernas não descem na água. Uma gota nos olhos é como uma semente de pimenta.
De lá, para a Ilha do Fogo com o vulcão que sugere o nome. Ele estava inerte há quase vinte anos. Caminhamos sobre a lava petrificada e voltamos para a Cidade da Praia. Uma semana depois, o vulcão, não sei se incomodado pela nossa visita, resolveu cuspir fogo e expulsou alguns dos moradores do vilarejo.
Lá na Ilha do Fogo, em pleno Oceano Atlântico, num domingo à noite, um culto na pequena igreja local e a profunda experiência de louvar a Deus entre pessoas da mesma fé tão distante do Brasil nas entranhas do Atlântico!
Ainda pude avaliar o que os americanos aproveitam no Brasil: o nosso real estava bastante valorizado em relação ao escudo. Almoçávamos no melhor restaurante da Cidade da Praia por apenas vinte reais e pagávamos dois ou três reais por uma corrida de táxi.
Os caboverdianos não têm rios. A eletricidade vem de grandes torres de geração eólica que nos assustam com o ronco das suas pás nas colinas de Cabo Verde.
Nas ilhas, em todas elas, o verde profundo e peculiar das escarpas das montanhas. Nas praias plácidas e convidativas os caboverdianos curtem as maravilhas que Deus lhes deu e nos enchem de acolhida e boas vindas de todo seu coração.
Francisco Nery Júnior
P.S.Uma vez em Portugal, vale a pena uma descida a Cabo Verde em um voo curto e barato. Não há problema de comunicação. Eles falam português.

