5 de março de 2026 23:35

O Titanic brasileiro a fazer água – a saída de Levandowsky

Redação PA Notícias

Ele se aposentou do Supremo Tribunal Federal e foi ser ministro da justiça. Poderia ter vestido o pijama. “O poder, meu filho, o poder!”, teria justificado Ulisses Guimarães. O velho juiz não conseguiu apresentar nada de novo e acaba de pedir demissão – com decepção. O vetusto justiceiro alegou falta de um sólido apoio político e uma insuficiência orçamentária para gerir o Ministério da Justiça por onde já passaram notáveis titulares.

Há não muito tempo, citamos, nesta coluna, o ministro da defesa a afirmar que “não há dinheiro para absolutamente nada” e a vaticinar “uma Marinha Brasileira de marinheiros sem navios”. Muito pouco a acrescentar ao que temos estado a prognosticar por anos a fio. Estamos todos em um grande Titanic a afundar enquanto a banda toca no convés e os passageiros e tripulantes tocam e dançam. Passageiros talvez inocentemente; embriagados e encantados. Tripulantes de coletes e malas prontas para pular fora na hora final.

“Sem dinheiro para absolutamente nada”, naufrágio à vista. Iminente. Quase três bilhões de reais por dia de juros para pagamento de uma dívida interna que não para de subir, fácil ser pitonisa. Moleza prever o futuro. Penoso afundar pela incúria e ineficiência de uma claque que pegou a dívida em cerca de oitenta bilhões de reais há trinta anos e a potencializou para quase nove trilhões [de reais]. Os leitores poderão concordar com a placa no centro de Lisboa a cobrar responsabilidades: “Cadeia para quem endividou o país”.

“Por que a volta ao tema de hoje [?] pode alguém inquirir boca aberta. Porque somos parte do contingente de embarcados prestes a se afogar e descer para o abismo do oceano. Porque, podemos acrescentar, seremos fatalmente convocados para o resgate redentor: mais impostos, cortes de “despesas”, redução de salários, demissões e taxações criativas.

Os ventos, entrementes, parecem estar a virar. Uns abandonam postos com o cheiro de alguma urucubaca prestes a atacar. Outros recusam convites e preferem o setor privado. O Congresso age por conta própria, sem articulações, e derruba vetos presidenciais com facilidade. Os três Poderes da República deixaram de ser harmônicos. Na tal de solenidade do “08 de janeiro”, ausentes o presidente do Senado, o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). Os jornais independentes publicaram o evento com parcimônia e o povão não se incomodou.

O tom da valsa e o ímpeto da orquestra se esvaem. O cansaço se estabelece e a apatia reina. A infraestrutura do país, fundamental para o desenvolvimento, apodrece sem conservação e sem investimentos. Estradas de quinta categoria ceifam a vida de brasileiros país afora. Sem discursos de convencimento e sem exemplos de dentro para fora, o país vai se sentindo frustrado a boiar nas ondas do desânimo, principalmente ao constatar o desenvolvimento do vizinho Paraguai e a surpreendente recuperação econômica da Argentina.

Economistas de todas as beiras reconhecem a importância de um Banco Central independente e autônomo. No escândalo do Banco Master, recebeu ataques. Órgãos oficiais sugeriram investigação e foram forçados a recuar principalmente quando o governo americano acatou a liquidação do banco e congelou vários dos seus ativos em seu território.

O canto da sereia começa a destoar e a prestidigitação que encantou as camadas mais populosas da nação começa a não mais fazer efeito.

Em poucos meses haverá eleições majoritárias. Tempo para refletir e votar.

Francisco Nery Júnior

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