6 de março de 2026 00:54

Uma conversa com Zezinho

Redação PA Notícias

Não foi bem uma conversa. Ele nem parou. Ia passando, em frente ao Ferrageiro, e nos cruzamos: “Que está achando de tudo isso, Zezinho?”, lancei e consegui ouvir, no farfalhar do vento quente de Paulo Afonso, uma certa, ou desanimadora, resposta de Zezinho do INSS.

Na minha leitura, ou no meu entendimento (lembre-se o leitor que o vento foi implacável na sua missão de dissolver as palavras do presente), eu falava, há cerca de dez dias antes do seu passamento, com um Zezinho mais uma vez decepcionado com, digamos, o que segue; o que marcha. Se ele ainda estivesse vivo, certamente eu correria atrás de um desenvolvimento da nossa conversa itinerante. Iria atrás para aprender e concluir.

“Os homens não são maus, mas quando não se entendem…”, emplacou o professor Hélio Rocha talvez se esquecendo que Maquiavel pregava o aniquilamento total, pela raiz, do inimigo. Não obstante, mantenhamos que o homem foi criado puro de dar gosto. Afinal, contemplando o Universo a partir da face da terra em noite de luar sem o luzeiro artificial estraga-prazer, facilmente concluímos que o arquiteto foi irreprochável.

Zezinho, para mim, pareceu entender tudo isso. Com uma ponta de censura, manteve um pouco da sua agressividade contida e salutar dos tempos da Câmara de Vereadores e continuou a sua marcha para o cotidiano e para a Eternidade certo, bem certo, que uma andorinha só não faz verão.

Francisco Nery Júnior

 

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