6 de março de 2026 00:54

Lição de uma formiguinha

Redação PA Notícias

Nordeste da Bahia e o clima é implacável. Não importa que o Criador tenha nos provido de árvores e cactáceas de raízes profundas e com capacidade de armazenamento de água. O clima é desanimador.

Não carece reclamar. Importa, isso sim, conceber maneiras de resistir e sobreviver: barragens retentoras de água, sistemas de silagem de grãos, perfuração de poços, e assim sucessivamente. Por que não há programas intensivos para essas medidas é outra conversa.

No perímetro urbano, onde plantamos árvores trazidas de outras regiões, elas penam em sobreviver. E a gente pena em mantê-las vivas. Baldinho de água pra cá e baldinho pra lá e vamos persistindo na tarefa de salvá-las. Na realidade, como uma espécie de Dom Quixote do verde, temos salvado dezenas delas da morte por falta d’água.

A tarefa de jardineiro voluntário de Paulo Afonso não é fácil. Cansa. Abate. Desanima. Mesmo incomoda. Insistimos até que venham, mandados pela Providência, outros voluntários. E vamos levando.

Nesse desânimo e nessa incerteza, carregando um pedaço de farelo de biscoito lançado ao chão, lutava uma formiguinha. Alquebrada e sozinha, longe da sua casa e da sua prole, dava tudo de si para a sobrevivência dos seus. A cena me chamou a atenção. Passei a observar a epopeia da pequena e insignificante formiga. Lá ia ela a enfrentar todos os obstáculos e peripécias imagináveis. O vento soprava e, às vezes, a derrubava. Mas ela se levantava e novamente erguia a carga preciosa. Descia e subia. Virava e contornava. E não desistia.

Alguns “quilômetros” vencidos e uma formação de formigas outras a atravessar. Foi atacada e a carga tombou. Para o bem ou para o mal, tive que intervir (eu acompanhava de perto a sua luta). Ela recuperou a carga e prosseguiu quilômetros à frente até ao que me pareceu a reta final da entrada do formigueiro.

O leitor pode rir, não estranho, mas continuei a participar do esforço daquela formiga agora em oração. Orei a Deus por aquele ser minúsculo que foi criado justamente por Ele. Está escrito que nada escapa ao seu controle e à sua proteção.

Assim, caro leitor, me recobrei do desânimo de que falamos ao observar o belo e profundo exemplo de persistência de uma mera e minúscula formiguinha.

Francisco Nery Júnior

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