6 de março de 2026 00:55

À espera da ciclovia

Redação PA Notícias

Lá elas estão. Enfileiradas fielmente aguardando a volta dos seus donos; parceiros, melhor dizendo. Uma bicicleta já foi o meu mundo. Tudo por uma bicicleta era o meu mundo até que o meu velho pai deixou, na cabeceira da minha cama, o tão esperado pacote redentor e eu ganhei a minha bicicleta.

Andávamos pra lá e pra cá nos passeios do bairro. Com passeio quero dizer calçada até que um dia o compenetrado e vetusto tenente Sandes, amigo do meu pai sem de mim saber, nos disparou: “Passeio é para o pedestre!”. Só disse isso – que ficou na minha memória – e continuou a sua marcha.

As bicicletas citadas estão ansiosas pela ciclovia do Mulungu. Elas anseiam, de todo coração, ser[em] peças de papel importante para a integração do bairro à cidade. Ao centro se o leitor preferir. Elas evitam uma sangria desnecessária no [parco] salário dos seus donos. Cinco reais e tanto a toda hora saindo do bolso para a tarifa do ônibus e adeus ao feijão com arroz da prole. As bicicletas são heroínas sem direito a citação nos livros escolares que, atualmente, acolhem as narrativas de plantão. Elas clamam por um projeto amplo de financiamento de bicicletas. Poderia até começar por um projeto piloto municipal – se o STF não vier a vetar por solicitação de um partido nanico qualquer.

Um pedacinho da ciclovia está sendo construído. Poderia vir logo até a ponte do canal. Está saindo da Prainha até o Economart. Depois, depois a promessa de ir até o entroncamento da rodovia para Salvador.

Que venha logo o resto da ciclovia – que esperamos seja um projeto compreensivo. Um sistema de ciclovias em Paulo Afonso – para uso e para lazer dos citadinos.

Se não fosse pela criminosa sangria da dívida pública, quase três bilhões de reais por dia de juros pagos com o suor dos trabalhadores que precisam da sua bicicleta para sobreviver, haveria dinheiro para milhares de ciclovias Brasil afora e para milhares de projetos outros de infraestrutura.

Francisco Nery Júnior

 

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