6 de março de 2026 07:35

A maldição da Presidência da República

Redação PA Notícias

Jair Bolsonaro preso e condenado

 Não há dúvida que a República no Brasil se impôs por força das circunstâncias. O povo apático, a Família Imperial foi colocada em um navio e despachada para a Europa após a proclamação. Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente, foi forçado a renunciar com a Revolta da Armada e passou o poder para o vice Floriano Peixoto. Desgostoso com a “ingratidão” dos companheiros de farda, pediu para ser enterrado em trajes civis.

Floriano teve que enfrentar conflitos e revoltas com ações repressivas e rigorosas o que lhe valeu o título de Marechal de Ferro.

Estamos no início da Velha República. O voto não era secreto e as mulheres não votavam, entre outras restrições, o que favorecia as fraudes.  Rui Barbosa encetou a Campanha Civilista, mas oficialmente perdeu a eleição para o Marechal Hermes da Fonseca devido a fraude segundo a maioria dos historiadores.

Mais adiante, o presidente Artur Bernardes governou o Brasil permanentemente em Estado de Sítio para poder enfrentar as revoltas tenentistas que fermentaram até a revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder até 1945. Getúlio teve que combater a Revolução Constitucionalista em São Paulo. Foram combates que deixaram mortos e feridos, dentre eles, participante de um contingente enviado da Bahia para combater os revoltosos, o marido de uma prima do pai deste autor. Getúlio enfrentou várias escaramuças. Em determinada ocasião, o palácio presidencial foi atacado e o presidente e sua família tiveram que pegar em armas para se defender enquanto as forças do general Eurico Dutra não chegavam.

Em 1954, como presidente eleito, no final do mandato de quatro anos, Getúlio “saiu da vida para entrar na História” com um tiro no peito. Preferiu suicidar-se para evitar a renúncia após idas e vindas dos conchavos políticos de então. O vice João Café Filho (que esteve em Paulo Afonso para a inauguração da Usina Paulo Afonso I) assumiu o governo até a eleição do Presidente Juscelino Kubitschek que só assumiu o governo por um ato de força do General Henrique Teixeira Lott.

Juscelino, por sua vez, enfrentou as revoltas de Aragarças e de Jacareacanga, negociou a rendição dos revoltosos e entregou a faixa presidencial ao presidente eleito Jânio Quadros que renunciou seis meses após a posse. O vice João Goulart assumiu o governo e foi deposto, em 1964, por um movimento militar.

O período militar teve cinco presidentes generais. Castello Branco foi o primeiro. Cumpriu um mandato-tampão, recolheu-se ao Ceará e morreu em um acidente aéreo no mínimo intrigante. O general Costa e Silva veio a seguir e teve que deixar o governa para uma junta militar após ter sofrido um derrame cerebral.

O terceiro general na presidência foi Emílio Médici que passou a faixa para o general Ernesto Geisel que promoveu uma abertura política lenta e gradual.

O último presidente militar foi João Batista Figueiredo. Cumpriu o seu mandato e saiu decepcionado com os políticos brasileiros. Deixou o palácio pela porta dos fundos.

O próximo presidente teria sido Tancredo Neves que adoeceu na noite da véspera da posse e morreu semanas depois. Subiu a rampa do palácio do planalto dentro de um caixão deixando a presidência ao vice José Sarney. Após Sarney, tomou posse Fernando Collor que foi cassado dois anos depois e atualmente encontra-se preso acusado de corrupção.

Itamar Franco, o vice de Collor, terminou o mandato e passou o poder para Luís Inácio Lula da Silva. Após cumprir dois mandatos de quatro anos, já fora do poder, foi condenado por corrupção e cumpriu prisão fechada por um ano e seis meses.

Depois de Lula, Dilma Rousseff cumpriu o mandato de quatro anos e foi reeleita para ser cassada por “pedaladas fiscais” um ano e meses depois. Michel temer, o vice-presidente, completou o mandato. Já fora do poder, foi detido sob alegação de corrupção e liberado dias depois.

Jair Bolsonaro foi o escolhido em eleição direta e governou por quatro anos. Tentou a reeleição e perdeu para Luís Inácio já fora da cadeia. Lula é o atual presidente em terceiro mandato.

Bolsonaro foi acusado de tentativa de golpe militar para impedir a posse de Lula, foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal e acaba, poucas horas antes desta escrita, de ser condenado a vinte e sete anos e seis meses de cadeia em regime inicial fechado.

Francisco Nery Júnior

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