5 de março de 2026 23:56

A falta de um rei

Redação PA Notícias

O Brasil atravessou com relativa estabilidade o período de 1822 a 1889. Tínhamos o nosso imperador. Ele exercia o Poder Moderador. O Brasil cresceu naquela época. Pela visão de brasileiros como o Visconde de Mauá, sem o imperador atrapalhar – antes, a apoiar -, o Brasil seguiu estável até a proclamação da República – que foi um golpe sem o envolvimento do povão.

A República aconteceu basicamente pela divulgação das ideias liberais que floresciam na Europa e nos Estados Unidos. Por sua vez, a guerra do Paraguai erodiu a lealdade do Exército ao imperador. Como agravante, a Princesa Isabel, casada com um conde francês e demasiadamente dependente do pai imperador, não passava uma imagem de capacidade de liderança e segurança. Resta ainda a possibilidade de a Inglaterra, potência naval e econômica da época, ter retirado substancialmente o seu apoio à monarquia vis-à-vis da escravidão prolongada no Brasil.

Havia o medo de a imperatriz se deixar tutelar por um estrangeiro. Deodoro, frequentador do meio palaciano e amigo e protegido de Dom Pedro II, não resistiu às pressões políticas e deu o golpe da República. Decepcionou-se com os camaradas, retirou-se e foi enterrado sem a farda do Exército a seu pedido.

Um imperador faz falta. Na sua falta, os meios de comunicação, a dita mídia, nós um pouquinho, tentam o exercício da moderação. No plebiscito do início deste século, o regime monárquico recebeu o nosso voto, arriscando ser o novo rei, por votação da plebe, Lula!

Prestem bem atenção os nossos leitores: o Reino Unido, o Japão, a Espanha, vários países desenvolvidos da Europa e países árabes, têm um soberano. Eles têm o seu rei, geralmente em regime parlamentar. E considerem a importância para a estabilidade de um país a existência de um rei: o rei da Inglaterra é, também, rei (chefe de estado) do Canadá e da Austrália.

Por tudo que foi dito até agora, torcemos para uma possível restauração do regime monárquico parlamentar no Brasil. O rei reina, mas não governa. Entretanto, ele encarna a nação e pode entrar em cena quando os Poderes Constituídos não se entendem – como é o caso do Brasil em desgraça atolado na atual anarquia constitucional.

Apenas completar chamando a atenção que o custo de uma casa real é compensado pela potencial estabilidade do país e pelos ganhos em termos de turismo. Basta verificar importância da monarquia inglesa.

Francisco Nery Júnior

P.S. A família imperial foi banida do Brasil sem dó nem piedade. Bens foram confiscados. Na Europa, Dom Pedro II sobreviveu por dois anos com o auxílio de parentes de casas reais europeias. Mais de um século depois, os descendentes tiveram ganho de causa e parte do confisco foi anulado. A Casa dos Bragança toca a vida com o reconhecimento de boa parte dos brasileiros que reconhecem a importância que o Império teve para o Brasil. Bem que um pedido de perdão poderia ser oportuno.

 

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