6 de março de 2026 07:35

Ser tachado de rebelde 

Redação PA Notícias

Resigne-se. Se empertigue e vá em frente. Nem sempre quem com muitas pedras bole uma lhe cai na cabeça. Use capacete e siga em frente. O cachorro que anda muito pode achar osso e não bordão. Tenha sempre em mente que a História está repleta de “rebeldes” – os nossos heróis; os que salvaram a humanidade, alertaram, educaram e conduziram os seus semelhantes a grandes saltos para a frente.

Mas, na prática, o que você faria quando lhe chamarem de rebelde? Como reagiria? Desistiria dos seus princípios? Não importa que o tempo lhe tenha dado razão. Não importa que as instituições por onde você passou tenham oferecido aos “clientes” pífios e insignificantes resultados.  Você, de antemão, teria se arrependido?

O que fazer, por exemplo, se você e os membros do seu grupo tivessem apertado o cinto e colaborado para a compra de um instrumento, no caso um automóvel, para um serviço eminentemente social e religioso e visse o líder do grupo a levar o filho para o colégio enquanto você, igualmente estudante, gastava a sola do sapato? Ou se notasse roubalheira flagrante no grupo a que você pertence. Você permaneceria no grupo de olhos fechados ou arrumaria a mala e partiria?

No caso de a mulher do chefe se locupletar de benefícios e, no final do mês, receber 50% a mais do que você recebe; você se transformaria em um “rebelde” ou “ficaria na sua”? Acrescente-se o fato de você, só você, ser convocado para as tarefas mais difíceis ouvindo que você foi “escolhido” ou “indicado”?

Ser rebelde. Ser ou não ser? A propósito de um empréstimo, o gerente de um banco estadual lhe passa uma folha de papel em branco, um formulário, e pede para você assinar. Você argumenta que aquilo é, no mínimo, uma contravenção e descobre, anos mais tarde, a sua ficha bancária carimbada de “cliente indesejável”. Você é um rebelde?

Ainda, naquele banco estadual, que não é mais, você passa da fila comum e entra na fila preferencial, tendo já sessenta anos, e o caixa cria um problema. O que fazer para escapar da pecha de rebelde?

Outrossim, você no rabo da fila, o banco fecha a porta próximo ao fim do expediente e você sai – você já um idoso – e se senta em um banco ao lado. A fila já reduzida, você se levanta e volta. O caixa alega que você não estava na fila. Não importa que o gerente tenha intervindo e tenha ordenado o seu atendimento. O que você teria feito? Pelo menos, qual teria sido a sua avaliação. Você admitiria que você é um “rebelde”? (Os exemplos se referem a um só e único banco.)

Com essas e outras, tal banco perdeu um cliente que já chegou, a um só tempo, a mais de meio milhão de reais em sua conta.

Então e assim sendo, como não ser rebelde se você é alguém que pensa, age nas quatro linhas e tem um mínimo de conhecimento dos seus direitos?

Ainda bem que por onde você passou você deixou um saldo de importantes e significativos avanços. Ainda bem que chegamos a um grau relativamente alto de civilização graças aos “rebeldes” da História da Humanidade.

Francisco Nery Júnior

 

 

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