O momento político do Brasil é turvo. Ninguém arrisca prognóstico algum. A sensação é que todo mundo está em cima do muro aguardando para que lado pular.
Na realidade, parece não haver comando. Os três poderes da República são independentes segundo a Constituição de 1988, mas existe um presidente ad hoc, isto é, presidente para presidir.
Se um presidente só pensa em reeleição, adora viajar, preza falar pelos cotovelos em solenidades e vomitar soluções a todo tempo e a toda hora, o resultado é a falta de coordenação de ações que estabilizam o país e promovem o desenvolvimento.
Muitos comentaristas enfatizam que estamos em momento de crise que ninguém arrisca prever para onde vai levar o Brasil. Pela brecha da História, porém, podemos relembrar a crise de 1954 que desaguou no movimento militar de 1964. O caos se instalou e os militares resolveram intervir. Intervieram para restabelecer a ordem e devolver o poder aos civis. Se entusiasmaram com os holofotes e controlaram o país por pouco mais de vinte anos.
O momento é de narrativas. Foi assim em 1954. Haveria um “mar de lama” no Governo democrático de Getúlio Vargas. A ácida oposição liderada pelo jornalista Carlos Lacerda, o “corvo”, acuava o presidente que acabou por dar um tiro no peito, “sair da vida para entrar na História”.
O cadáver ainda quente, as narrativas se dissiparam e a multidão acompanhou o féretro de Vargas até o aeroporto do Rio de Janeiro para o embarque no avião que o levaria para o sepultamento em São Borja no Rio Grande do Sul. Getúlio, o Gegê dos pobres de então, não somente permanece no coração dos brasileiros. Ele foi o responsável pela eleição de Juscelino Kubitschek que fez o Brasil crescer “cinquenta anos em cinco”. Belos tempos. (De 1930 até 1980, o Brasil cresceu, em média, 7% (sete por cento) ao ano.
Uma das funções da História é fornecer subsídios para o governo e o controle dos povos. O ódio, a vingança, a mesmice, a demagogia e as narrativas têm levado o Brasil ao atraso há quase cinquenta anos. O naufrágio ainda não aconteceu pelo simples fato que os brasileiros responsáveis, amantes de um país rico em recursos naturais, não desistem e trabalham. Eles se esforçam e mantêm o país na linha d’água.
Francisco Nery Júnior

