6 de março de 2026 15:58

Emendas Parlamentares

Redação PA Notícias

Está no site. O deputado Mário Júnior agiliza reuniões para viabilizar as obras que permitirão a chegada da água do São Francisco a seis localidades da Zona Rural. Se o sertanejo é um forte – e ele é –, que tenha água. Trata-se de água! Somos na maior parte água. Bebemos água. Só produzimos com água… que está ali no rio, bem perto do produtor – ávido por ela.  O deputado cumpre a sua parte.

Uma das razões para o senador Antônio Carlos Magalhães ter sido contra a chamada transposição do rio São Francisco – como a maioria dos entendidos – é o fato de o rio cortar a Bahia, de sul a norte, e pessoas e gado morrerem de fome e sede a pouca distância do leito do rio por falta de uma rede de distribuição.

A observação, constatação, ou o que o valha é que por apenas 5 milhões de reais seis localidades terão água para trabalhar e produzir (um outro projeto subsequente contemplará mais dez localidades segundo o site). Os campesinos virarão cidadãos com letra maiúscula.  Produzirão! Tornar-se-ão brasileiros fortes, parte de um país que quer ir pra frente. Corroborarão o desenvolvimento. Pagarão impostos. Não precisam de esmolas, na realidade compra de votos, que o STE (Superior Tribunal Eleitoral) não impede. Precisam de água para, repetindo, trabalhar e produzir.

Lamentável verificar que seis localidades (trata-se de gente!) ficaram privadas da água bem ao alcance das mãos por anos a fio porque apenas cinco milhões não foram disponibilizados. Onde as prioridades do orçamento? Onde o amor ao próximo? Onde a sensibilidade para cerrar fileira e marchar junto com gente de bem que só quer uma pouca d’água para produzir?

Se a nossa matemática não nos traiu, os mais de 50 bilhões de reais anuais de emendas parlamentares distribuídas no Brasil para virtual compra de votos seriam suficientes para beneficiar 10.000 localidades afetadas pelo fenômeno da seca, um espetacular avanço.

A título de ilustração, as emendas são concedidas a parlamentares em vários países. No Brasil, elas decuplicaram de valor em menos de dez anos. Elas existem na França em escala muito menor. A diferença é que a aplicação do dinheiro é decidida por uma comissão da localidade beneficiada, evitando parcialmente a potencial – e nociva – compra de votos.

Adaptação de matéria publicada em 03.12.2020: https://www.folhasertaneja.com.br/noticias/colunistasprofessornery/504295/1

(Foto: Imagem ilustrativa – da net)

Francisco Nery Júnior

 

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