Restrição de voos da FAB por falta de dinheiro
A TV Jovem Pan acaba de exibir a matéria (tarde de 09 de julho de 2025): não há dinheiro suficiente para a Força Aérea Brasileira operacionalizar os voos necessários ao patrulhamento do território e das fronteiras do Brasil. Ponto.
Temos a desdita de ver o país chegando onde predizemos que ia chegar. Há cerca de dez anos temos estado alertando os brasileiros nesta coluna provavelmente sendo tomado como um chato ou inconsequente – ou alarmista. De um cantão do nordeste brasileiro, às margens do cambaleante São Francisco, explorado e desprezado como não deveria ser, bradamos – a ouvidos moucos.
Alertamos para as dores de uma inevitável crise fiscal. Prevenimos para o precipício à frente. Chamamos a atenção de todos para o óbvio embora não sejamos gênio (alguém já afirmou que só os gênios enxergam o óbvio).
Não obstante, entramos no princípio das dores. Sentimos as dores. Agora, purgamos as dores. Podemos fechar o parágrafo, economizando argumentos, com a declaração do jornalista José Maria: “Toda a arrecadação é dirigida para a manutenção do estado”. Os pesados impostos que pagamos são consumidos pela máquina – pesada – do estado. Data vênia dos leitores, acrescentamos declaração passada do ministro da defesa: “Não há dinheiro para absolutamente nada”.
No momento que vivemos, toda arrecadação federal é consumida pela máquina estatal e pelo pagamento de juros da dívida do governo que não para de se expandir (na nossa matemática, aproximadamente 2,7 bilhões de reais por dia de juros).
Há poucos dias, foi anunciado, como grande coisa e como excelente resultado da ida do presidente à França, um investimento de cerca de dez bilhões de reais daquele país no Brasil durante os próximos dez anos. Fácil o leitor verificar que tal montante, os dez bilhões, é o que o governo paga de juros da dívida em míseros quatro dias.
Algum leitor mais preocupado e mais brasileiro poderia estar pensando em alguma espécie de calote ou moratória. O problema é que os credores do grosso da dívida somos nós mesmos: detentores de fundos de pensão, cotistas do FGTS, detentores de poupança em bancos e assim sucessivamente. O calote seria impensável. Ocasionaria o caos social. Arrebentaria com as nossas vidas.
Com nostalgia, nos lembramos que o montante da dívida que estamos a purgar na casa dos vários trilhões de reais não passava de oitenta bilhões trinta anos atrás. Inevitável a lembrança de um placar no centro de Lisboa há cerca de cinco ou seis anos: “Cadeia para os que endividaram país”.
Francisco Nery Júnior

