Evidente que teríamos que ter um espaço muito maior para entender o que se passa no Oriente Médio. Mas vai a tentativa de analisar fatos pontuais que poderão ajudar o leitor do site a entender o conflito que envolve, basicamente, o Irã, Israel e os Estados Unidos.
Árabes e judeus são primos, ambos os povos filhos de Abraão. Com Sara, veio a descendência judaica e com a escrava, a descendência árabe. Então, árabes e judeus são descendência de Abraão. Vale notar que os iranianos não são árabes.
O termo Alá é correntemente traduzido por Deus. Todavia, alguns autores chamam a atenção que o Alá dos árabes não seria necessariamente o Deus Jeová dos judeus.
Por outro lado, temos que considerar que as promessas de Deus a Abraão em relação à sua descendência têm um caráter de eternidade. Em outras palavras, ela vigorarão até a volta de Jesus Cristo. Os judeus teriam que voltar para Jerusalém de onde não mais sairiam. “Este ano aqui. Para o ano, em Jerusalém”, celebraram a Páscoa os judeus com esta afirmação até 1949 quando fundaram o moderno Estado de Israel. Com a diáspora (dispersão pelo mundo) imposta pelo Império Romano no ano 70d.C., se espalharam pelo mundo até que voltaram para Jerusalém para não mais sair. Eles nunca renunciaram ao direito de voltar para Jerusalém.
Voltaram em 1949 e tiveram que lutar várias guerras para não serem aniquilados com espetaculares feitos bélicos. Com o tempo, a maioria dos países árabes aceitou o inevitável. Fizeram as pazes com o novo estado judeu e coabitam sem guerras. O Egito foi o primeiro a abrir a porta para um acordo de paz seguido de outros pequenos estados independentes. A Arábia Saudita chegou ao limite do entendimento até o início das hostilidades que presenciamos.
O Irã, porém, não desistiu de ameaçar riscar Israel do mapa no afã de se tornar uma potência hegemônica na região. Destruir o Estado de Israel, expulsar os judeus da Terra Prometida a ferro e fogo, isto, provavelmente, em consequência da postura dos julgadores de Jesus pouco antes da crucificação: “Este homem é um justo. Nele não há dolo”, declarou Pôncio Pilatos para ouvir da turma ensandecida “deixe que a maldição caia sobre nós e sobre os nossos filhos”. Como explicar tanto ódio aos judeus através dos séculos?
Os judeus modernos já sobreviveram a vária tentativas de aniquilação. Tal sobrevivência alguns atribuem ao apoio americano esquecendo-se que os países árabes tinham o apoio explícito da União Soviética, então potência nuclear rival dos Estados Unidos. Estes, para alguns analistas, teriam se tornado uma potência mundial exatamente para que fossem capazes de defender o estado judeu moderno; para garantir o cumprimento dos acontecimentos escatológicos.
Naturalmente que todos, quase todos, lamentam as guerras e a perda de vidas humanas. Poderíamos ter um tipo qualquer de governo central no mundo onde o entendimento prevalecesse. Temos países com estados ou províncias alguns com diferenças quase intransponíveis. Mas convivem. Por que não um poder central? Somos ou não somos iguais? Temos ou não temos o direito de gozarmos todos, em condições de igualdade ou oportunidade, as benesses do mundo? “Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único”. Os problemas viscerais da humanidade seriam resolvidos se os trilhões de dólares gastos em guerras e projetos bélicos fossem direcionados para aquele mister.
Mas, sempre há um mas, os homens têm preferido escantear o fundador do Jardim do Éden. Não se fala mais em Deus. A ele não mais se apela. “Deus, adeus para ti”, parecem dizer. “Queira Deus, se Deus quiser, valha-me Deus” caíram em desuso.
E o nosso velho mundo vai de mal a pior.
Francisco Nery Júnior

