A terra ardendo qual fogueira de São João, que braseiro, que fornalha, perdi meu gado, morreu meu alazão.
A asa branca bateu asas do sertão. Partiu. Foi embora. Não deu mais. Tudo acabou. Guarda contigo, Rosinha, meu coração. Guarda o que eu posso [te] deixar. Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação, eu te asseguro, não chore não. Eu voltarei!
Rosinha, olhos verdes se espalham na plantação. É tudo que ela pode fazer. Ambas, Rosinha e a plantação, não desistem do sertão – como nós outros.
Fica, porém, difícil a volta dos que partiram em um Brasil onde breve teremos uma Marinha de marinheiros sem navios e onde, no orçamento do próximo ano, não sobrará um centavo sequer para investir na infraestrutura do país. As afirmações são do ministro da defesa e da senhora ministra do planejamento.
“A coisa aqui tá preta”. No Titanic brasileiro, a água continua a subir e os ratos começam a pular fora. Os meios de comunicação coniventes começam a tirar o corpo fora e sacerdotes outros predizem o destino do Brasil que estamos a predizer nos últimos anos.
Nós outros, nas costas de quem cairá a conta da irresponsabilidade, juntos no sertão que nos acolhe e nos abriga, continuaremos a espalhar o verde dos nossos olhos, o verde da esperança, nas plantações renitentes do Nordeste do Brasil.
Francisco Nery Júnior

