5 de março de 2026 20:58

Sessenta anos de Marinha do Brasil

Redação PA Notícias

O ano era de 1966. Honrar a lei e servir à Pátria. Por que não? Os militares têm muita coisa a acrescentar e lá fui eu. Se me quiserem, lá estarei. Fui. Poderia, já no terceiro ano do segundo grau, que não era pra todo mundo, muito menos uma faculdade, poderia pedir, pelo menos insinuar, uma dispensa. Me aprovaram. À minha esquerda, um sargento fuzileiro naval, pra minha surpresa, pescava futuros reservistas. “Quem quer servir na Marinha?”, lançou o meu querido e respeitável sargento Geraldo, nosso futuro instrutor.

Eu queria aventura e consegui. Na turma de 75 conscritos, Neator, filho de médico, Edilson já no segundo ano do segundo grau e Latrilha, galego com aparência de boa criação. Nós quatro éramos a Sorbonne da turma. Pelo menos assim pensávamos. Com Neator, grandão e voz de baixo profundo, o papo era – já era – em inglês. Então reinávamos à proporção que procurávamos manter a consideração e o respeito ao comandante tenente Cajazeira, ao Sargento-mor, sargento Olival, ao sargento Geraldo, ao cabo Boanerges e ao cabo Saldanha, os três emprestados pelos fuzileiros navais para nos dar aulas de ordem unida.

Na primeira fase do período, eu fui, por classificação, o chefe da turma, o mais antigo na linguagem militar. Na segunda, perdi para Edilson e fiquei apenas no comando do segundo grupo. E nós nos divertíamos – e aprendíamos! Neator era “displicente” e levava algumas broncas. Edilson, talvez para experiência, talvez coisa de menino, se desinteressou e até levou cadeia de três dias (dos setenta e cinco, apenas cinco saíram com a ficha limpa. De fato, dávamos trabalho aos nossos dedicados superiores.

Então, 2026. Sessenta anos daquela época. Alguma coisa poderia ser feita. Assim, pensei em visitar a base onde tiramos o nosso Serviço Militar. Como me receberiam os militares de hoje? Considerariam bobagem um ancião de 78 anos querer visitar a unidade onde serviu, a antiga Base Baker no sopé da cadeia de montanhas que separa a Cidade Alta da Cidade Baixa? Consultei a mulher, nos fardamos adequadamente com a melhor roupa disponível e lá fomos nós.

Compensou. A recepção foi surpreendente. Poderia ter sido melhor se a guarnição da base, agora totalmente dos Fuzileiros Navais – nós éramos da Marinha de gola – não estivesse em solenidade de passagem de comando. Providencialmente, um sargento foi designado para nos acompanhar e visitamos, de olhos enxutos, a base onde eu me formei e aprendi a “amar a pátria” de maneira mais incisiva.

A turma nos recebeu muito bem. Perfilavam-se e, pasmem os leitores, me bateram continências várias. Fomos até ao local do nosso pavilhão que foi demolido para dar lugar a uma ampla piscina que deve ser usada para exercícios ou treinos de esportes (não deu tempo de inquirir qual a sua finalidade).

Se tivesse sido possível, a minha intenção era encaixar Paulo Afonso na ocasião e argumentar sobre a possibilidade de a Capitania dos Portos estabelecer uma unidade na nossa cidade, cavar uma entrevista com o comandante e conversar sobre a Marinha moderna; seu trabalho nos rincões do Brasil, sua identidade moral num Brasil que estranhamos, a defesa da “Amazônia Azul”, o espetacular projeto do submarino brasileiro e o que conviesse.

De retorno marcado para Paulo Afonso no dia seguinte, tudo ficou por aí. Contudo, ainda fomos ao comando do Segundo Distrito Naval, vizinho ao Elevador Lacerda, tentar uma entrevista com o almirante. A Comunicação Social ou o attaché de imprensa, ou coisa parecida, nos forneceu o contato adequado para uma futura investida. A minha apresentação estará calcada na importância de Paulo Afonso como Centro Regional e fornecedor de energia para todo o Nordeste e na minha participação nas rádios e nos sites locais. Em suma, o mérito para a cidade e a comunicação social para a Marinha do Brasil.

Dentre as minhas satisfações na idade provecta, a satisfação de ter sido um marinheiro, por um ano de serviço militar, da honrosa Marinha.

Francisco Nery Júnior

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