6 de março de 2026 21:15

Só ouvir

Redação PA Notícias

Não custa muito ouvir. Ouvir os munícipes. São dois ouvidos. Uma bobagem eventualmente recebida é só deixá-la sair pelo outro ouvido. Eles, os munícipes, opinam porque são os financiadores dos êxitos e das falências dos gestores. Que os ouçam! Não ouviram Noé lá atrás e se afogaram nas águas do dilúvio. No início tripudiaram sobre Deng Hsiao Ping. Desfilaram-no com um boné de imbecil pelas ruas de Pequim. Depois, um pouco depois, num relâmpago de bom senso, resolveram ouvi-lo. E a China saiu do atraso milenar. Bobajada para trás e ela cresce e ri dos dizedores de não.

Ouvir. Não custa nada ouvir. Felizmente nos ouviram e a área do Ciepa foi preservada permitindo a expansão dos seus equipamentos dentre os quais quadras e um teatro. Não nos ouviram para uma antepara na curva em frente da nossa estação rodoviária. Uma tragédia, que poderia ter sido pior, feriu vários estudantes quando um ônibus escolar sobrou na curva, saiu da pista e bateu em uma árvore. Entabulamos conversações com nossas autoridades, nós e missionários americanos, e hoje temos igrejas e congregações em Paulo Afonso e Santa Brígida que só acrescentam à comunidade. Para elas conseguimos terrenos adicionais visando a expansões futuras graças à visão do prefeito Paulo de Deus.

Apoiamos um novo líder e a Primeira Igreja Batista de Paulo Afonso hoje congrega seus membros e visitantes adequadamente em ambiente refrigerado e acolhedor. Por outro lado, levantamos a saga de Abel Barbosa o desbravador e a sua estátua breve estará a fulgurar em praça pública.

Absolutamente sem recursos na Administração José Ivaldo, nos apossamos de uma pedra monolítica milenar recuperada do leito do rio São Francisco desprezada em frente à antiga central de concreto, tiramos proveito de ser empregado da Chesf – que nos cedeu equipamentos e pessoal – e a colocamos como troféu na entrada da ilha onde se encontra até hoje (infelizmente com um totem inadequado em cima). Ainda conseguimos a doação de cinquenta coqueiros adultos da Ilha dos Coqueiros por intermediação do professor Severino Silva, então Administrador Regional, para serem transplantados para a área urbana da cidade. Em uma operação piloto, transplantamos a primeira “muda” de cerca de quatro metros de altura para a frente da sede da Prefeitura em condições nada favoráveis que, não obstante, sobreviveu e orna a entrada do prédio e produz cocos. Os demais quarenta e nove coqueiros permaneceram na Ilha dos Coqueiros porque o nosso projeto foi interrompido com a vitória da oposição nas eleições que se seguiram.

De forma que fomos, site e colunista, batalhadores da palavra em favor de uma ciclovia para o Mulungu que está em construção (uma pesquisa levantou cinco mil trabalhadores ciclistas por dia entre o Centro e o bairro Tancredo Neves).

O que enfatizamos, para o bem de todos nós, é a prática da cidadania levada a sério pelo site e por esta coluna. Não custa nada falar – se é que não custa – e não custa muito nos escutar. Nós nos esforçamos para falar pelos munícipes. Eles pagam impostos e eles nos fornecem os subsídios para que possamos escrever. O mérito, em última análise, é deles. Somente deles.

Francisco Nery Júnior

 

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