O homem é um ser eminentemente social. Assim sendo, a solidão é decididamente uma – não quero dizer aberração – inconveniência. “Ninguém é feliz sozinho”, asseverava o professor Hélio Rocha. Ninguém se isola no Raso da Catarina como um ermitão, dizemos nós. Não importa que a minha mãe, que morou sozinha até aos cem anos, tenha dito que a solidão não existe. “Todo dia tem um elemento aqui comigo”, dizia do alto da sua sabedoria – com rispidez e segurança. O fato é que ela, mãe de dez filhos vivos, sempre tinha um descendente com ela durante o dia. Isto dito, podemos eliminar a acusação de abandono de incapaz. Ela, de fato, dormia sozinha até completar o seu centenário. A saúde era quase perfeita, o corpo rígido e aprumado e a cabeça decidida.
Mas ninguém, com aquela exceção evidentemente, ama a solidão. Há que haver contato. Há que ter comunicação. Carece o fervor da fraternidade. Importa a prática do amor.
Mas como evitar a solidão em um mundo cada vez mas egoísta, cada vez mais voltadas, as pessoas, para dentro de si mesmas, talvez com medo umas das outras? A resposta eu a encontrei em Emílio Surita do Pânico da Jovem Pan justamente quando acabo de ler um grosso volume de Gabriel Garcia Márquez, concluo uma revisão de uma biografia de Lee Iacocca e avanço na leitura de Do Contrato Social de Jean Jacques Rousseau.
Para a avó de Surita, a melhor maneira de evitar a solidão é sempre ter em mãos um bom livro para ler.
Francisco Nery Júnior

