6 de março de 2026 01:01

Minhas plantas, minhas ferramentas

Redação PA Notícias

Estava com elas há poucos minutos no meu quintal; a minha roça. Na entrada de volta, o computador e a inspiração. Há algo de maravilhoso em escrever. Para Gabriel Garcia Márquez, escrever era tudo ou nada. Deve ter sido tudo. Ganhou o Nobel de Literatura e falamos dele. Então sentado no computador – para escrever.

Plantas e ferramentas, por quê? Porque elas, para mim, têm vida. Ou tudo não é aquilo que representa? Ou tudo não subirá, um dia, em bola de fogo e tudo estará resolvido? Eu as amo e as beijo.  Melhor estar consciente e aguardar do que, com os braços para cima, estourar  a garganta em aleluias – as quais melhor serem dadas no cantinho do quarto onde a comunhão não sofre os arranhões das bobagens deste mundo.

Amo as minhas plantas. Até converso com elas. Só com elas, claro. Elas me entendem. Parecem entender. As minhas ferramentas, também as amo. Ah!, o martelo da casa dos meus pais que até hoje comigo sobrevive! O meu carrinho de mão, carroça em Paulo Afonso, que toda hora está no serralheiro para reparo. Não o troco por nenhuma dessas latarias efêmeras dos construtores de hoje.

Ao acordar, arrancar uma romã perto da porta da cozinha e saboreá-la sabendo-a livre das contaminações incompreensíveis dos homens! Saborear um pedaço de abóbora que insistiu em sobreviver no calor ofegante de Paulo Afonso! Leitor, leitor, bem parece que ela foi adubada com o néctar dos deuses em reconhecimento ao labor de um mero lavrador.

Do meu quintal, as pinhas mais saborosas que tenho tido! Doces e complacentes.

E essas confissões, só aos leitores deste site, aqui pra nós, em ouvidos curtos,  ambos, leitor e site, servidores da causa do amor ao próximo. Como Garcia Márquez, escrever ou morrer!

Francisco Nery Júnior.

 

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