6 de março de 2026 03:47

Mundo louco

Redação PA Notícias

Conversa com o doutor Guido Palomba

 O mundo sempre foi louco. “O mundo – que jaz no maligno – vos odeia”, disse Cristo. Não obstante, gostamos de glamourizar o nosso mundo. Tudo era melhor “naquele tempo”. Nas igrejas, sempre pregava, na ausência do pastor, um ancião testado e calejado. O ministro da Suprema Corte era escolhido de acordo com o seu “amplo e notório saber”. Saber notável era fundamental. O Senado era reservado para os mais experimentados, donde “Casa Revisora”.

Somos todos loucos? Gostamos da loucura? Pelo menos a respeitamos? O que seria a loucura? Em uma entrevista no Pânico de Emílio Surita, o doutor Guido Palomba, psiquiatra de longa data, respeitado e ouvido, jogou luz sobre a nossa incerteza. O doutor Guido “aprendeu a loucura com os loucos”. Em uma convivência intensiva de 15 anos dentro do que chamávamos de asilo, aprendeu; porque gostava da loucura: “O psiquiatra tem que gostar da loucura”.

Para dela se livrar, “viver mais naturalmente [possível]” sabendo que “sem ansiedade e receio, você está perdido. Depressão reativa é normal. Algum problema que vem da noite pro dia é normal”. Fundamental “ter um bom amigo” e controlar o uso do celular. “A telinha faz mal. Nos nossos dias”, asseverou o doutor, “o cérebro tem pouco estímulo”. “As pessoas estão ficando burras. Celular não é o mesmo que ler um livro.”

Ele vai além ao afirmar que “o mundo digital potencializa as cobranças. Você se compara com Neimar e fica se achando ruim”.

No nosso mundo louco aparece a Inteligência Artificial que “não é nem inteligência nem artificial. A I.A. é um papagaio. É um Google sem citar a fonte. O ser humano tem a inteligência prática e a inteligência abstrativa. Essa a I.A. nunca vai ter”.

Então, podemos considerar a volta a uma vida “natural”? Viveremos melhor e mais felizes?

Francisco Nery Júnior

 

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