Esta minha semana não foi leve, embora tudo tenha terminado bem. As coisas aconteceram, problemas foram resolvidos e novos amigos apareceram.
Sexta-feira pela manhã, ida à feira, a Feira Grande. Velhos amigos, ex-vizinhos e os companheiros da Zona Rural. O objetivo principal era comprar duas sandálias novas, a de sair e a de ficar em casa. As anteriores decidiram quebrar na quinta-feira. As sandálias atuais não me duram mais que três meses. Elas têm que quebrar – para girar o capital e o governo arrecadar mais em impostos.
Com o espírito alimentado – somos animais gregários e sociais -, voltei para casa. A televisão ligada – é de lei – e os ministros do Supremo (Supremo Tribunal Federal) a falar. Gilmar Mendes, Alexandre de Morais e Luís Roberto Barroso, vozes diferentes e altissonantes, empertigados pela toga e pela importância, vomitavam direito, jurisprudência e erudição. Eles pareciam zangados!
Eu sentava e levantava. Entrava em um cômodo para uma tarefa qualquer e partia para outro para nova tarefa. E eles a falar. Emitiam, em tom solene de quem detém a autoridade e o mando maior do país, trechos pejados de adjetivos fortes e convincentes; pelo menos para eles. Que importa o ouvinte? Por que a preocupação? Roma locuta, causa finita est (Roma falou, o caso está encerrado). Afinal, a Corte é suprema. Nada mais a apelar. Eles versavam sobre os efeitos da Lei [americana] Magnitsky.
O espírito foi ficando pesado – o meu. Eis que senão quando aparece na tela, ao mudar de canal, Os Geriátricos, um conjunto de três “senhores”, violão e pandeiro em punho, a executar músicas conhecidas de sucesso.
Caracterizados e leves, deram o recado – o seu show, claro – e o meu espírito recobrou a tranquilidade que havia experimentado na nossa Feira Grande.
Francisco Nery Júnior

