6 de março de 2026 04:56

Da vírgula e do mensageiro

Redação PA Notícias

Muito do que vai aparecer a seguir vem do meu pai, velho tenentão da “garbosa” Polícia Militar do Estado da Bahia e contrabaixista (contrabaixo da família do violino, da viola e do violoncelo) da Orquestra Sinfônica da universidade Federal da Bahia, Francisco Nery da Silva. Como estudante de comunicação da PUC de Salvador, onde conheci o estudante de geografia Roberto Ricardo do Amaral Reis, decano da Academia de Letras de Paulo Afonso, aprendi que o discurso é a arte do convencimento

Em relação à vírgula, cuja função não é simploriamente marcar uma pausazinha, a necessidade de o leitor assimilar que a pontuação não foi inventada pata atanazar a sua vida de leitor ou escritor eventual. Regras gramaticais, pontuação inclusa, foram criadas para que o leitor possa entender mais clara e precisamente o que o escritor, ou emissor, quis dizer; quis passar para o seu receptor – quem está lendo. A arte de comunicar através do discurso impresso exulta quando o texto está adequadamente “pontuado”.

Uma vírgula, ou a sua ausência, pode ser fundamental para uma tomada de decisão – para a compreensão do texto ou da mensagem. Assim sendo, um comandante consultado pelo subalterno na linha de frente se a tropa deve atacar o inimigo imediatamente e deseja que isto seja feito, não deveria colocar uma vírgula na resposta sumária: “Não, permaneça aquartelado”. O subalterno entendeu que a tropa deveria permanecer no quartel. Se tivesse grafado “Não permaneça aquartelado”, sem a vírgula, o receptor teria entendido que a ordem era atacar.

Em se tratando de mensagem, o fundamental é o texto. A eficácia da mensagem se consubstancia em um texto adequadamente produzido. O condutor, o entregador da mensagem, como a mídia moderna, é de somenos importância não importando tanto o viés que possa tentar introduzir no processo da comunicação. Um entregador da mensagem descuidadamente esfarrapado não interfere na mensagem que conduz. Vem à lembrança o mensageiro cansado e aos trapos, aparência medonha e assustadora, que caminhou quilômetros para entregar ao comandante no front a ordem do soberano que mudou o curso da História. Ele aos frangalhos, mas a ordem intacta na sua precisão e eficiência.

Dessa forma, se a meta é a comunicação e o convencimento, o estudo das normas da língua se torna fundamental, deixando de ser um fardo pesado de carregar para se tornar leve e agradável.

Francisco Nery Júnior

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