Ele está velhinho. Come bem, mas não mais enxerga. Anda, mas não se aguenta em pé. Deixa-se cair em um canto da casa. E é bem cuidado. Amor é o que não lhe falta.
E ele é meu amigo – de longas datas. A passear com Adelina, sua mãe mais que tutora, ao nos encontrarmos na Rua da Frente, mais nos arredores da Catedral, nos tornamos amigos; em encontros casuais e agora dentro de casa, a sua casa.
Ontem estive lá. Ele me conheceu. Não se esqueceu; nem me renegou. A nossa amizade é, seguramente, até o túmulo.
Voltei para casa de coração seguro. O Téo de dezoito anos em 15 de agosto próximo está em muito boas mãos. Melhor dizendo, em muito bom coração. No coração da professoras Adelina amiga de todos nós.
Ah, agora ele tem a companhia de Bete, a nova adotada da casa.
Como sempre há um “mas” a nos tentar arrancar o prazer, em Seine-Saint-Denis, na França, um homem de 25 anos é julgado e preso por atos de crueldade após a descoberta de cães “à beira da morte” cheios de feridas e hematomas. Os vizinhos demoraram a chamar a polícia com medo do insensível arremedo de gente. Na França e no Brasil, crueldade aos animais é crime. Crueldade a crianças e animais deve ser denunciada sob pena de os vizinhos também serem enquadrados na lei.
Francisco Nery Júnior

