6 de março de 2026 02:51

O desfile cívico

Redação PA Notícias

Oneide e Vera Campelo – in memoriam

Lá estava sempre a professora Oneide, empertigada e garbosa – e eu, por força disto, ao lado da avenida para registrar. E passava o seu Ciepa a expor todo um trabalho de retaguarda da professora Vera que assim se deu. E passou. E merece um nome em algum canto significativo da cidade. Ainda ontem o colégio brilhou ao lado de outras instituições que legitimamente fizeram questão de demonstrar garra e eficiência.

O desfile cívico do 28 de julho deste ano evoluiu. Foi à tardinha sem sol nem cansaço. Os alunos das escolas tiveram água potável para se hidratar. Houve um camarote para idosos – que infelizmente não notei e dele não me aproveitei. Os intervalos – importante – entre os pelotões e as escolas foram bem menores que em anos anteriores. Até o SAMU se fez notar em eficiência ao socorrer uma senhora que, ao lado, passava mal. Não cremos haver exagero em constatar que houve organização, que é o que nós outros, pagadores de impostos, desejamos. Agregamos ao que percebemos como belo espetáculo de alegorias do Cetepi-1 em frente à tribuna de honra, o nosso reconhecimento.

De início, os militares da Polícia Militar e do Exército – meio desprestigiados nos nossos dias – a demonstrar que, apesar das limitações, estão prontos para defender a pátria e a nós outros. Vieram as instituições e as ONG’s, coalhadas de gente boa a dar-se a si mesma[s] em benefício dos outros e a pregar a boa fé. Um monte, uma pletora de gente que sabemos de boa índole a desfilar à nossa frente

As instituições de ensino a nos comunicar a inserção de novos cursos de formação média e superior que evitam a saída dos nossos jovens para os grandes centros. Elas cumprem o seu dever que aos gritos e berros de comprometimento na avenida, testemunhamos. O IFBA e a UNEB a nos presentear com novos cursos que fogem à mesmice e dão esperança de inserção e emprego aos jovens, esperança das suas famílias.

E vimos grupos vários de crianças nos seus primeiros anos – os pais à margem e ao lado vigilantes como devem estar -; vimos as crianças de pais que, esperamos, saibam, dali pra frente, valorizar e confiar nos mestres que, sem dúvida alguma, só desejam agregar no processo de educação daquelas crianças.

Pé de galinha, senhores pais ciosos e enciumados, não mata pinto. Me lembra a professora Aidil, eternamente entronizada no meu coração, que me amava e me conduzia como boa pedagoga. Ela era uma professora de classe média alta em nosso colégio público e eu era o melhor aluno da classe, o que hoje, politicamente correto, não deve ser dito. Ela chegou a me honrar com um convite para a festa de aniversário do seu filho mais velho. Todo este parágrafo para dizer aos leitores que um belo dia, eu a conversar em sala de aula, levei um belo e inesquecível puxão de orelha – da minha amada professora Aidil! Os tempos eram outros e a vida sempre segue.

Dá para lembrar Mário, meu filho, estudante do Sete de Setembro, ao voltar para casa e tentar “considerar” certo procedimento da sua [boa] professora. “Cale a boca, vamos almoçar. Você passa e a professora fica. Ademais, sem sombra de dúvida, ela, que é mortal, deve ter reagido no limite da paciência. Eu lhe asseguro que ela só quer o seu bem”.

É o caso na França de hoje às voltas com a falta de motivação para a carreira do magistério. Cerca de 15% das vagas nas escolas francesas não atraem candidatos. O medo das agressões físicas e morais em sala de aula amedrontam os potenciais mestres. Acrescente-se a isso a possibilidade de processos na justiça por supostos “assédios morais”.

A educação, a nosso ver, é fundamentalmente familiar. A ênfase exagerada à educação na escola trabalha em desfavor do processo de aprendizagem, preocupação básica dos franceses atualmente. Em um programa de perguntas e respostas no SBT, dá para notar a falta de preparo dos egressos das nossas escolas. Basicamente, percebe-se a baixa formação, principalmente em termos de raciocínio, que é o que realmente conta na preparação dos profissionais de uma nação.

Nas minhas obras de construção civil, tenho dito, os melhores profissionais, mesmo os ajudantes, eram os que tinham cursado boa parte do ensino fundamental. O nível de raciocínio que eu notava era outro!

Não obstante todo o exposto, a satisfação de ver, na avenida, o comprometimento e o denodo dos mestres de Paulo Afonso visando à formação dos nossos alunos.

Francisco Nery Júnior

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