Preso e condenado. Por roubo! Atrás das grades com tornozeleira eletrônica na perna. Gatuno preso e abocanhado pela lei.
Ele foi autor de um “enxugamento na máquina pública” atabalhoado e sem resultados práticos, alimentador de ridículas vinganças, conforme análise do senador e economista Roberto Campos em suas memórias.
Tentou nos humilhar – e acabou nos fazendo um favor. Tirou um peso insuportável das nossas costas e, num efeito de culatra, nos catapultou para a frente. Alguns outros “pesos” tombaram igualmente no pó da História. O tombo de Fernando Collor nos impulsionou [para a frente]. Abundou o patrimônio, a verve, a resiliência e o caráter de nós outros.
Poderia ser o caso de agradecer a Collor. Ele na cadeia, com o peso da tornozeleira a lhe puxar ainda mais para baixo, agora tem tempo para meditar. Tempo de sobra para os seus rituais. Esperamos que se arrependa e, em última análise, venha a mendigar o nosso perdão.
Atos de vingança, só um. Apenas uma patente prova de sórdida pequenez.
E partiu desse a mulher na nossa porta matreira a pedir dinheiro emprestado. Assim está escrito: “Muitas vezes, o inimigo do homem, querendo lhe fazer um mal, lhe faz um bem”. Não nos hospedou a cadeia nem o cemitério.
Havia que ser dito.
Francisco Nery Júnior

